quinta-feira, abril 7

Ai Portugal, Portugal, de que é que tu estás à espera?

Os mercados internacionais andam nervosos porque Portugal está um LIXO,

Sócrates afiança que estava tudo bem não fosse o tal PEC que deu barraca, e se ele é bom a afiançar.....

A mim parece-me que com transparência na gestão dos bens comuns e distribuição de riqueza mais equilibrada já tinhamos meio caminho andado!

Cargos políticos só nos partidos, lá dentro de portas para quem deles sente falta e cargos públicos ocupados por gente profissionalmente capaz, adequada às funções para que lhes pagamos. Já estavamos num bom caminho.

Apurar responsabilidades e abolir a impunidade também faz falta. Um bocado!

Fazer silêncio, calar o PS, que nem devia ter direito à palavra, e dizer ao PSD e ao Passos Coelho para arrancar o babete, largar os talheres e tirar os olhos do bife que nada está garantido;

assim como o povão elegeu, num concurso para encontrar novos talentos, um jovem que tudo o que tem para nos oferecer é a poesia, porque não acreditar que os portugueses saberão reconhecer talento para nos governar se se chegarem à frente talentosos potenciais governantes, movidos pelas melhores intenções, que devem, seguramente, ter nascido entretanto.

30 anos é já uma vida... e se não lhes escapou a atenção, sabem que temos sido governados por gente que se governa e desgoverna Portugal... de tanto se fartarem e abusarem deixaram nos ficar um LIXO.

Viver para ver, para aprender, talvez para surpreender!

quinta-feira, fevereiro 24

25 de Fevereiro

Tenho momentos desta minha vida que desejo festejar
Hoje é uma festa solitária esta que faço
Não é caso para menos
Que belo o momento
Vindo duma "alma roqueira" surpreendeu-me o desejo de ouvir música clássica, Mozart que mais clássico não havia
As colunas a estrear oferecem-me a voz do computador que andava tão mudo e agora obedece à minha batuta... nem sei bem que lhe peça... ai, caprichosa gostaria eu de lhe espetar o dedinho em riste e: vá, toca só para mim... mas a vastidão de oferta vai-me tolhendo as iniciativas, talvez a modéstia, talvez amanhã me sinta mais capaz de colher de todas a escolhida, a desejada, a música que já me tardava ouvir.
Que festejo eu, pois que é amanhã que venho à luz, faz então 55 anos...
Ah pois, são os laivos da minha costela muito, mas muito aproveitadiça... não são estes os derradeiros momentos dos meus, quase idos, 54 anos... é que não é de se lhe virar as costas... ...nunca, mas é que nunca mesmo vou voltar a pôr os meus pés nesta condição.
A partir de amanhã toda eu sou outra... acordo numa versão que deixa esta de hoje num album de memórias que, curtas como as que guardo, são já águas passadas, dias, semanas, meses arquivados para sempre, páginas viradas, que, ainda generosamente, me sobram em minutos que se escoam nestas útimas palavras que escrevo.
Como este branquinho de blogue que aqui persigo batendo as teclas neste momento, conquistanto letra a letra uma lógica que me ultrapassa, já que dentro mim, uma mulher de 54 anos se despede de si, e recebe feliz a outra que desta vai nascendo, a cada letrinha, a cada minuto, incontornável, até que esta que hoje ainda sou se arrume junto de todas as que fui, lá, no espaço que me construiu, nas memórias das Inezes que eram eu.
Os 54 quase gastos, usados, acabados, dão lugar a uns 55 a estrear, novinhos, imaculados.
Não os vou estragar nem desperdiçar, é o que me prometo, sei que vou cumprir esta intenção, pelo menos até que os comece a tratar por tu... mas então depois se verá... porque agora do que se trata mesmo é da festa de despedida... dos 54.
"Gracias à la vida que me ha dado tanto!" é o que aqui fica dito e se não é assim que se escreve que me justifique os gastos da festa que me dou!

segunda-feira, novembro 15

Sonho ou realidade

Através da vidraça imensa o sol radiante distrai-me da realidade...


...os dias vividos, que se foram,


rotinas empurrando as horas, as semanas, os meses


sucessão de emoções, de rostos, de pressas e lazeres, de sustos, alegrias, certezas e inseguranças,



escorregadia, a vida...



...por entre amores e dissabores, aventuras e desventuras,


memórias que me escapam no todo


deixando-me apenas o gosto do promenor,


marcando-me no sentimento, na emoção, no registo que me acorda a alma


acreditando que de olhos fechados é o sabor da essência que se sobrepõe a tudo o resto.



Do que os dias levam da minha história, pouco me fica


... a construção de quem sou, ao que cheguei,


cada momento vivido alimentou este "aqui", este "agora"


e essa é a minha única bagagem, o que tenho de meu


o que me traz um sorriso aos lábios quando me sento na natureza, e aí me sinto em família


quando as árvores são irmãs, e os montes mestres, os animais sábios... porque existem e se cumprem!



Quando sou mar e o mar sou eu, sinto que grande é a obra, que bela é a criação.


Tudo o que de mais possa sentir ou pensar é nada... é pequena coisa pouca
Para trás os factos, as datas,


dentro de mim o amor, o sentimento, a emoção



A realidade vai-se assemelhando a um sonho, um pesadelo, um filme ou uma peça que nos envolve, mas que nem sempre parece ser a nossa própria história de vida


quando o tempo nos escapa


quando o que nos rodeia se impõe, com peso esmagador, ao mundo que nos habita por dentro


é de silêncio e solidão que nos curamos


Se o mundo, os outros, e o mundo dos outros, nos tapam a paisagem o sonho e a aventura, melhor será sairmos para dentro de nós,



é o tempo de nos escutarmos


de encontrar em nós o olhar que pensa e o pensamento que olha
Distraída assim do que atenção não me merece vou passo a passo marcando o meu caminho
...inteira, feliz, porque sou um ser pensante, porque deslizo ao sabor das emoções e dos sentimentos entre realidades que nem sempre me tocam mas me dão que pensar, me fertilizam o pensamento, e me parecem mais sonhadas que reais... ao passo que, no sentido inverso, o sonho se vai colando, mais e mais, ao que me parece real, e verdadeiramente importante!

quarta-feira, outubro 27

Só para desenferrujar

Estive fora nos últimos 10 meses... fora desta cadeira que me abre a janela do migalhas!

Sim, é certo que existem outras cadeiras com vista para o meu blogue, mas é aqui, junto desta janela imensa, de onde me guardam os pomares de laranjeira que o meu olhar interior se espraia mais a jeito, as ideias mais variadas surgem, as palavras soltam-se e a vontade de me lançar ao teclado vem...
Nem sempre tenho o tempo mas sentir a vontade é já um começo... penso eu!

segunda-feira, agosto 9

Férias na Zambujeira

Fresca e repousada, estendida sobre a cama, despertei-me num suave ruído que me trouxe para fora do quarto, mesmo ali, roçando-se na parede da janela do quarto, aquele ritmado som que quase se apaga, para logo renascer, numa cadência de esforço sem nome, morria e logo recomeçava, persistente, esforçado, como se um último suspiro teimasse em voltar, quase inaudível, teimoso, a adiar o inadiável!
Em silêncio quis saber e, curiosa, estiquei-me para fora da janela; abrindo o olhar sobre uma alma sem idade, que arrastava um corpo com mais de 150 anos, sobre duas muletas... Tic- Tic, o metal no seu cantar quase leve, muito lento, batia a calçada, como se não houvesse amanhã, em contraste com o que sobre ele se arrastava numa lentidão de doer, numa insistência de admirar, só porque parar é morrer a velha senhora ia em direcção ao mar, às falésias que nem sei se os seus gastos olhos conseguiam alcançar, mesmo ali à sua frente... talvez o cheiro a marezia... quem sabe a brisa do mar, o grito das gaivotas... talvez apenas o peso, ou a leveza das recordações, quem sabe se a certeza de que parar é morrer... certo é que ela se movia e alguma certeza tinha porque não parava, tão lenta quanto se possa imaginar... o mar imenso oferecia-nos a ambas o espectáculo sublime da sua comovente imensidão... ela, a velha senhora, oferecia-me uma lição de vida!
Recolhi-me ao silêncio, dentro do quarto e pensei... assim se gozam as férias na Zambujeira do Mar!
Nota: marezia será com S, mas a mim se assim fôr já não me cheira a mar!

domingo, abril 18

Afinal quem manda???

Caos nos aeroportos... a natureza a dar-nos mostra da sua supremacia.
Para quem ainda duvida é a surpresa, quase indignação.
Ainda assim, a "importância relativa" de quem vê os seus planos abortados a querer bater o pé...
"... "eles" têm de me resolver o problema... só sei que amanhã temos de estar de regresso..."
Gosto, gosto quando, assim mesmo, sem mortos nem feridos, somos empurrados para a nossa insignificância e pequenez, quando todos os nossos planos e reevindicações são reduzidos a pó de traque!
Só tenho pena que o grande destaque das notícias se vire sistematicamente para os transtornos que se verificam como consequência de acontecimentos a que, infelizmente não se vão acrescentando dados e imagens, porque a tal nuvem só está é a dar dores de cabeça aos europeus e aprendermos um pouco sobre o que se está a passar não interessa mesmo a ninguém, ao que parece!

sexta-feira, fevereiro 19

Mais valia estares caladinha, ouvistes???

Sou daquelas que se gaba de ter aprendido a escrever quando o erro era um erro.
Gabo-me de naquele tempo a quarta classe dar direito, mesmo, a aprender a escrever português.
Hoje andei aqui pelo meu migalhas a recolher textos, aleatoriamente, não gostaria que se perdessem, alguns lembro-me de que gostei imenso de os reler, mas hoje nem era o caso. Copiei-os a granel, tudo ao monte para uma pastinha, não reli um que fosse.. Tive de os passar pelo Word, pareceu-me a melhor forma de o fazer.
UI, UI.
As palavras sublinhadas a vermelho eram bem mais numerosas do que eu imaginava.
Tanto, mas tanto erro que tenho dado por aqui, até dói, cheguei a sentir vergonha … não por mim, que não sou nada dada a vergonhas, mas por quem acredita que eu escrevo menos mal…
Palavras inventadas são às mãos cheias, mas essas são minhas filhas, e dos filhos gostamos sempre, nem que sejam uns abortos;
advérbios de modo insisto em pôr-lhes acento, talvez para que não restem dúvidas; papar letrinhas ou repetir sílabas é até fartar, deve ser do alzeimer;
os ssss gosto dos levar a zzzz;
iiii e eeee vai tudo dar no mesmo, vai como sair:
descansar faço-o sempre com uma cedilha debaixo, assim: descançar, vá-se lá saber porquê;
até com cidadões por aqui me cruzei…
cruzes canhoto que dar erros nem é pecado… o busílis está na presunção com que eu me arrumava do lado dos que “até nem dão muitos erros”.
Afinal são tudo promenores, que também assim tive o desplante de escrever, mas o que realmente interessa é organizar a ideia, dar força ao pensamento, expressar o sentimento, partilhar a emoção, sei lá eu, alimentar-me mais tarde destas migalhas que por aqui deixo agora, para as reler, reconhecer-me e encontrar-me quando ando mais perdida.
PS quanto ao Fernando Nobre… que conte comigo, como é óbvio… é que eu já vou contando com ele!

domingo, janeiro 3

ping, ping, ping...

Hoje convinha-me um radioso e longo dia de sol, daqueles que convidam a sairmos de nós, os olhos postos na natureza, coração aberto, esperança bebida no cântico dos pássaros!
Mas não... um longo dia dos mais longos dias curtos de Inverno, em que a chuva parece mais molhada e insistente, o cinzento do céu mais abrangente, escurecendo-nos por dentro, invadindo-nos as entranhas com as suas humidades , o vento forte vai varrendo qualquer ideia mais leve que se tente instalar... o ar denso e pesado a cansar os ombros e a alma.
Pode ser que o mundo à minha volta esteja ainda mais triste, pobre ou infeliz do que eu e este meu sentir caprichoso... mas esta saudade de me deitar na relva seca, pedindo a uma árvore que me abrigue na sua sombra para que goze melhor ainda os raios quentinhos do sol torna-se obsessiva num dia como um dos mais longos curto dia de Inverno!
Gosto das estações do ano... de todas... mesmo quando trazem nos seus dias extremos e excessos que lhes sejam próprios, levando-me a esquecer como elas passam por nós voando e outros dias, com diferentes caminhos para o meu sentir se vão substituindo, uns atrás de outros, deixando marcas profundas... ou nem tanto... no meu humor!


Quem me dera o sol por dentro, sentir o apelo da natureza, contar-lhe de mim e vê-la alheia a coisas miúdas, migalhas dos meus caprichos, persistindo na renovação, indicando-me o caminho.
Tem dias em que até as sementes bem guardadas no fundo de mim se enchem de mofo e tristeza, parece-lhes que nunca mais vai chegar o dia de irem a fruto, a flôr, e é nesses tristes dias curtos de sol e longos de escuridão que eu fecho os olhos para sonhar que estou na areia, na relva, no chão... e sinto aquele calorzinho que me dá a vida, a aquecer-me , por dentro, por fora, até que o dentro e o fora são UM só e aí lembro-me... pois se isto é assim todos os anos... ainda não te habituaste?... e como dizes tu que gostas das estações do ano se o pingo do inverno te deixa sem cor e com os excessos do Verão te derretes?

Não era este o post com que gostaria de interromper um interregno que já vai longo, não sei se já deu para repararem, é que está mesmo de chuva, é INVERNO a doer... mas do mal o menos... o Natal já lá vai e um Ano Novo bom para todos nós é o que peço à chuva, ao frio e ao vento!

segunda-feira, novembro 9

...nem cobertas de chocolate...

É um comportamento novo, quanto a isso penso não me restarem dúvidas
Já lá vai o tempo em que tínhamos classes confiáveis na nossa sociedade, pelo menos era isso que julgava o comum dos cidadãos... um padre, uma professora primária, um Dótôre, um agente da autoridade, por exemplo, tinham como garantido que a sua palavra pesava no prato da balança mais do que as juras de quem com ele quisesse medir forças, ou veracidades...
Desses impolutos, os primeiros a cair foram os políticos, agora tão transversalmente desacreditados... os professores também passaram de intocáveis ao descrédito debochado, os padres, enfim, temos de tudo... de pedófilos até traficantes de armas, é o que se queira...
Agora são os médicos e as organizações que "dirigem". É o descrédito absoluto e ostensivo pelas suas directivas... e a prova disso está na falta de receptividade com que a vacina da gripe mais famosa dos últimos tempos foi recebida... os grupos de risco foram encolhendo, encolhendo, os grupos prioritários reduziram-se evaporaram-se e, eis senão quando, a generosidade dos nossos governantes deu em querer vacinar pura e simplesmente quem se chegar à frente. É hilariante... nem com toda a propaganda, o marketing... "ah, e tal, não chega para todos, primeiro os prioritários"... cartas para os utentes priviligiados... pensavam eles que íamos andar todos numa de também quero... hi, hi, hi, enganaram-se bem... por uma vez fomos "nós" que os enganámos... parece que as cabeças começaram a pensar... cada uma por si... com todas as desconfianças e cautelas que o passado recomendava... e finalmente, os senhores do poder, os que detêm os laboratórios, a informação e o resto, pode ser que fiquem com um stock de vacinas encalhado... de que se lembrem no futuro...é que, se a maltinha lhe dá para começar a pensar o seu reinado tem os dias contados... nada muda, ou pouco muda, mas a certeza de, saber e poder, controlar, extorquir quem anda mal informado e, por fragilidades, se deixa conduzir, já deixou de ser "favas contadas"... as vacinas eram dinheiro em caixa... agora são caixas e caixas, aos milhares, a serem distribuidas, oferecidas, impingidas por quem espera lucros, a quem lhes vira as costas, porque pura e simplesmente está farto de ser enganado, explorado, chulado, manipulado, e quer um basta neste rega bofe onde tudo se faz às claras, com o conluio de quem nos devia defender e a participação de quem não impõe limites à sua ganância!
PS o mais certo é arranjarem maneira de escoar as ditas vacinas, nem que seja em pastelinhos de bacalhau... ou de massa tenra...

terça-feira, novembro 3

o abismo

Abrir as asas
olhar para cima,
atirar o corpo pesado à leveza do ar
planar,
asas abertas,

em baixo o abismo

...o olhar... para cima!

quinta-feira, outubro 29

diferença?? o que é mesmo isso??

Não entendo o racismo!
Não sinto, nem ínfima, amostra de aversão ou repúdio pela diferença!
Quando me cruzo, ou relaciono, com "criaturas" que não se enquadram, ou encaixam, em conceitos preestabelecidos de normalidade, tenho sempre um tempo de paragem, como se dentro de mim se abrisse uma janela para uma nova paisagem que, por isso mesmo, já atrai a minha atenção, sinto a vontade de compreender e conhecer novos mundos, cabeças divergentes, diferentes formas de ser e estar entre nós! ... e quando me parecem mais frágeis, ainda mais espaço se cria dentro de mim, para acolher o que me é estranho, desconhecido!
Ultrapassa-me que isto possa ser obstáculo e não motivo de aproximação entre as pessoas... e o facto de desconhecer estimula a minha curiosidade, o meu interesse. Outro modo de sentir estas diversidades é-me tão difícil de entender... parece-me incontornavelmente uma limitação, uma tacanhez...
Porque a diferença é uma realidade que existe seguramente entre todos nós, essa diferença que nos torna únicos, irrepetíveis, cada um, um entre todos, de dentro para fora, inseridos no todo, mas sempre indivíduos... mas aquela diferença que divide, atribuindo qualidades e defeitos transversais que se aplicam a todos os elementos de um qualquer grupo, a TODOS, agrupando-os taxativamente, segundo leituras feitas de fora para dentro, juntando os "cada um" e transformando-os num só... essa convicção de DIFERENÇA desconserta-me, faz-me imensa confusão, como se a linguagem usada me fosse completamente obtusa, abstracta... até porque, bem cá no fundo, eu nem sei muito bem o que é ser diferente, não sei se isso existe.... não o somos todos, afinal?
há os que levam a vida toda a querer ser "iguais", os que se declaram diferentes, orgulhosa ou envergonhadamente diferentes... e aqueles que se perguntam, como eu, onde nos leva esta vontade de espelhos e de desencontros, de encontros ou de guerras...

quinta-feira, outubro 22

viajantes

Acordamos a cada dia, com planos preconcebidos de ir aqui e acolá, tratar deste ou daquele assunto, trabalhar, ficar em casa, enfim... certezas que não o deviam ser... cada dia, cada momento é uma aventura, uma viagem sem regresso, caminhos a desbravar, sem retorno, mudando e renovando-se a cada passo.
Para essa viagem cada um de nós transporta o que lhe parece indispensável, essencial, o que lhe é mais querido ou mais estruturante para usar como bússola, como referência!
Cruzo-me com viajantes que agarram o passado, num forte abraço, lembrando outros momentos, outras pessoas, experiências idênticas, recordações reconfortantes, traumas e mágoas de estimação, seja o que fôr... desde que seja passado... e esteja presente... "no meu tempo é que era bom..." esta frase espreita e ensombra o efeito surpresa, a novidade que se pode extrair de cada viagem... por outro lado também é ajuizado saber usar hoje o conhecimento de ontem!
Com outros surpreendo-me da tendência que os leva a, num voo "cego"de quem parece não querer estar "presente", sobrevoarem a paisagem e, num golpe de asas, transportarem-se para outro "continente"... o do futuro, aquele que lhes parece mais promissor, mais carregado de verdadeira adrenalina, ... "ai quando eu for grande...", "nas férias é que vai ser...", "quando eu acabar o meu curso...", "depois do bébé nascer...", assim lhes parece, talvez, serem as asas mais fortes, resistentes, os voos mais altos, mais seguros!
... e penso... como funciona o meu roteiro?... e o meu plano de viagens? Que levo eu comigo quando parto em direcção ao "desconhecido"?
Pertenço a um outro grupo de viajantes que seguem viagem noutra "excursão"... e levo outras escolhas na bagagem.
Passo a explicar.... parto sempre de dentro de mim para onde quer que me dirija... o passado e o futuro ocupam pequenos espaços... não considero pior ou melhor este género de viajante. Até porque não existe conotação positiva ou negativa nestes considerandos. O eu e o mim são o meu passaporte para entrar noutros mundos, funcionam como um filtro que me possibilita traduzir para a minha realidade cromática outras "vistas" que me são oferecidas!
No entanto, todos nós gostamos, ou seria bom e natural que gostássemos, de viajar, pois essa é mesmo a nossa condição… a de viajantes! Todos trazemos, na hora de partir, futuro, presente e passado… todos trazemos muito de nós…
Seria bom, e é recomendável, levar um pouco de tudo o que nos pode vir a fazer falta!
… e, em determinados momentos, reconhecer que nos dava mais jeito ser nossa, a bagagem dos viajantes com quem nos cruzamos… e a cada dia, antes da partida, fazer um check up list , adaptando os preparativos e as bagagens, de forma inteligente e dedicada, fazendo os ajustes necessários para que tenhamos à mão os “mapas e bússolas” que nos vão acudir às dúvidas e aflições, hesitações, entusiasmos e fraquezas… a tudo… em tudo!

sexta-feira, outubro 16

xico ração

A manifestação de afecto mais completa a que já me entreguei foi, decididamente , o abraço
Há-os pequeninos e tímidos, quase de fugida em que pouco fica manifesto
Os protectores, quando um par de braços envolve na sua intenção e nas suas "asas" um par de braços que cresce com a troca
o abraço profundo e intenso, aquele que separa duas criaturas que foram uma só
o outro, o ABRAÇO, aquele que nos devolve, ao cabo de 9 meses, o fruto então concebido
e mais... o abraço sentido, que passa a emoção, a solidariedade, a irmandade de quem partilha, de bom e de mau, o que há a partilhar, começando nos nascimentos e acabando na morte
Nas minhas preferências vou dizer desde já que um xicoração é todo, TODO, bom... dá-se e recebe-se sem cerimónias nem timidezes, a uma criança, a um amigo, manda-se por mail ou msn, fica giro em letras, faz um conjunto gráfico que me é simpático, e enche a boca XXIICOOOraçÃAOOOuuu
... entendo-o desde que me entendo, é velho amigo, já dei e recebi paletes de xicorações e ainda não me cansei!!!
... e isto tudo para quê???
só mesmo para distribuir por aí à brava e à bruta xicorações
... há momentos na vida em que se selam, guerras e discussões, ou acalmam dúvidas, e saciam saudades, e tanto mais se faz com um terno xicoração!
usem e abusem, faz bem a quem dá e a quem recebe, saiem todos a ganhar e melhores pessoas!
digo eu

encontro

olhar, tocar, sentir,
olhar... mergulhar... afundar...
... desaguar...
suspirar, sorrir
olharrr
ficarrrrr

simplesmente, simples

quinta-feira, outubro 15

FACTOS E ACTOS

Quando já se alimentaram todas as ilusões e se aguentaram muitas desilusões,
quando se ambicionou mais do que se alcançou e isso não nos fez sentir mais pobres,
quando se pediu à vida mais do que nos era devido, e se aceitou o muito e o pouco que nos coube
quando se voou bem alto e se sobreviveu à queda,
quando se esperou tudo dos outros e se soube, por fim, dar generosamente sem nada pedir em troca
quando se conseguiu fazer festas sem champagne... nem convidados... só porque estar vivo é bom
quando se viu nos filhos, nossos e dos outros, o melhor panorama que deles se pode oferecer
quando se soube calar palavras e queixas, trocar guerras por paz , acalmar medos, atenuar diferenças... e, e, e, ...outro tanto
quando se conseguiram encurtar as distâncias e oferecer e aceitar ombros amigos
quando se encontrou a palavra certa que completou um puzzle
quando se disse com o olhar o que nos roubou a fala
quando se cantou em silêncio
se chorou de alegria
se sonhou acordado
se parou para pensar
se deixou de pedir
quando se aprendeu a receber, sem ficar em dívida
........................................................................................................................................
quando tudo isto e muito mais... então podemos no mínimo dizer que já cá andamos há uns anitos... e temos o dever, perante nós próprios, de ter aprendido algumas das lições de vida que se nos oferecem!
... e quando os "quandos", os "ses" e tudo o mais que nos pára ou empurra se desenrola à nossa volta, e não está ao meu alcance ser mais do que mera espectadora, exercito então a MÁGICA e ELÁSTICA capacidade de ACEITAR!
Entre factos e actos vamos obrando passo a passo, por vezes aceitando outras agindo
... e cá se vai indo...

quarta-feira, outubro 7

... coisas, que se pensam

Os anos passam, a vida ensina, castiga, recompensa, surpreende…
Com o decorrer dos anos acumulamos conhecimentos, saberes, e, espera-se que qualidades também!
Todavia, quanto mais crescemos interiormente maior é a noção de quão pequenos e ignorantes somos…
Se em termos cósmicos não chegamos a uma migalha, nem por isso devemos desistir de ser verdadeiramente importantes na nossa vida, através dos afectos e laços que estabelecemos!
Nessa missão de tão bem querer e tanto cuidar, percorremos caminhos de generosidade e entrega em que o pequeno se faz grande!
É tão gratificante sentirmos o retorno do amor que sentimos pelos filhos, irmãos e amigos, nas intenções, atenções e mimos que nos dedicam! Somos especiais e únicos nas suas vidas! E eles são os nossos maiores tesouros!
É tão carregado de enorme ternura o sentimento que cresce dentro de nós face à dedicação que nos têm os animais que connosco privam de perto! Com que doçura nos olha o nosso cão, num silêncio respeitador, sempre que suspeita que não estamos bem… e com que alegria eufórica nos recebe quando chegamos felizes a casa… parecendo sempre disposto a partilhar… o nosso mal ou/e o nosso bem… e sempre aquele olhar perscrutador e dócil, pronto para se entregar a um rápido afago ou a um sempre desejado momento de brincadeira… incondicional, inteiro!
Por outro ponto de vista , afinal que diferença faz mais ou menos um ser, no meio de tantos”mi” e “bi” e triliões???
Mais ou menos um dia de vida, na vida de alguém…. perante a imensidão dos tempos… que vale??? … Zero???…
Á escala planetária não temos peso e quase que nem existência… mas à escala dos afectos somos gigantes, únicos, insubstituíveis!
Somos o sol e os satélites na existência uns de os outros!
A cada dia, cada momento conta, único e irrepetível!
Um sorriso, uma ternura, uma palavra amiga… são esses os melhores presentes que podemos de alguém receber!
É à luz dos afectos que transbordamos de emoção, de amor, de luz!
São estas as referências que fazem os nossos dias pulsar, pular, avançar!
É essa a bitola que nos resgata ao anonimato, é a sintonia que nos pauta o caminho, a ajuda nas decisões, nas lutas, o apoio nas quedas… levantando-nos o ânimo sempre que numa ilha mergulhamos a nossa solitária identidade!
A verdadeira mola, o sentido mais profundo, a lupa que altera definitivamente a nossa pequenez!
Quando a “moeda de troca” é amor, então parece que o tempo nada levou,, e, assim, num olhar , num toque ou nas palavras tão rapidamente se reencontra quem nos é querido, como se o tempo não tivesse passado e a distância nunca tivesse existido!
A linguagem do amor sobrevive ao tempo e à distância!
No silêncio da saudade podemos ainda, por pensamentos, palavras não ditas, por recordações e memórias, manter bem vivo dentro de nós um altar para os que amamos e amaremos para lá do tempo, da distância!
A verdadeira mola, o sentido mais profundo, a lupa que altera definitivamente a nossa pequenez!
Como é grande, imensa e protectora para uma criança a sua mãe! Capaz de destruir monstros, ganhar batalhas, forte como um touro, resistente como o aço!
Como é protectora a sua presença “frágil”… à luz dos afectos aquela mulher, por amor, enfrentará os maiores desafios e fará de si uma heroína, se isso lhe for exigido pelas circunstâncias!
Sabemos que, assim como chegamos um dia partiremos sós.
Daqui, como bagagem, só os afectos e memórias levamos connosco.
Para lá do que conhecemos contamos que um criador omnipresente e omnipotente nos acolha na sua imensidão, nos una aos que já partiram antes!
Seja qual for a viagem que nos afasta dos que amamos sabemos que, dentro deles, temos um espaço só nosso, onde se arrumam todas as memórias, o arquivo de tudo o que nos demos!
Quando a “moeda de troca” é amor, então parece que o tempo nada levou,, e, assim, num olhar , num toque ou nas palavras tão rapidamente se reencontra quem nos é querido, como se o tempo não tivesse passado e a distância nunca tivesse existido!
A linguagem do amor sobrevive ao tempo e à distância!
No silêncio da saudade podemos ainda, por pensamentos, palavras não ditas, por recordações e memórias, manter bem vivo dentro de nós um altar para os que amamos e amaremos para lá do tempo, da distância!
Na presença dos que amamos, muito pode ficar por dizer, mas os laços que a eles nos unem saiem sempre reforçados, porque o amor se pronuncia e evidencia para lá das palavras ditas… o amor tem a sua linguagem própria e em gestos e olhares, até apenas pela presença do ser amado, fica todo o espaço pleno desse sentimento grande e vital, que nos dá energia, e pelo qual todos os dias sou grata!

quinta-feira, setembro 24

Há sempre uma primeira vez

Pois é... eu que cozinho à farta, e com gozo, aqui deixo a minha primeira receita

SOPA DE LENTILHAS COR DE LARANJA

Enquanto prepara os vários legumes deixe as lentilhas, previamente lavadas, de molho em água (a utilizar depois na confecção da sopa)

+ ou - 2 chávenas de lentilhas laranjas
1 nabo
2 batatas doces médias
1 batata redonda média
2 cebolas
2 dentes de alho
uma boa talhada de abóbora menina (não havendo vai frade)

Opcional
1 tomate
hortelã

Procede-se como habitualmente... panela de pressão, tudo junto, cerca de 30 minutos, antes de pôr a varinha mágica adicionar o azeite!
Pode fritar cubinhos de pão na hora e servir com uma folhinha de hortelã
... é minha e é boa!

sexta-feira, setembro 4

O prazer da leitura

É um dos grandes gozos que desta vida me ofereço, o prazer da leitura
De uns livros gosto mais, de outros menos
como toda a gente
uns por me envolverem num argumento sumarento, outros pela sua originalidade, também me rendo incondicionalmente à qualidade literária; um talento personalizado e superior para usar as palavras vestindo na perfeição a ideia trabalhada... e apurada... até que o outro, o leitor, a devore... ou com ela se delicie!
Pelos mais variados motivos faço de um livro o meu companheiro até ao voltar da sua última folha... até que o tenha consumido fisicamente da primeira à última página e possa então alimentar-me verdadeiramente de cada letra, palavra, ideia... todos os capítulos a circularem-me alinhados ou em confusão por mim a fora... e dentro!
Mas o livro que amamos enquanto o lemos, aquele que nos tilinta por dentro ao longo das horas que não passam, marcando-nos um encontro muito íntimo, irresistível, aguardando com impaciência o regresso a casa... esses não são tantos assim...
Estou aqui a teclar pensando nele, no tal apelo que me leva a sentir que tenho à minha espera um prazer, um gozo, um momento de silêncio e encontro como só na leitura se consegue.
Assim que lhe conheci o nome fique imediatamente com os sentidos alerta... pareceu-me que chamava desde logo a minha atenção:
" A Solidão dos Números Primos"
Tudo no livro vale a pena, tudo é único, jovem e rejuvenescido, original, muito muito ternurento e emotivo, maduro e profundo, leve mas muito consistente, tanto que até pode parecer pesado, inteligente, arrebatador e comovente, único!
Quando comecei a sentir o desejo de transcrever uma e outra frase, uma conclusão, ou constatação, página após página, percebi que me devia deixar levar, como um menu de degustação, uma viagem ao passado, presente e futuro dos nossos sentimentos e afectos, da igualdade da diferença e da diferença da igualdade, tão mas tão bem conseguido que tenho de parar de tempos em tempos, respirar fundo, sorrir e deleitar-me com tão fantástica partilha!
Bom, já deu para perceber, é que estou mesmo a gostar do livro!
... dá para meninos e meninas.... jovens médios e entradotes... todos... penso eu...
... ah e se querem saber autor e sua biografia, editora e coisa e tal, isso não é aqui.
Aqui é mesmo só para dizer um bolas, BOLAS... não deixem de ler... é um EXCELENTE livro!

terça-feira, agosto 4

Encanto

Estar encantada!
Um encanto de pessoa;
Acordar e adormecer encantada...
O estado do "encantado",
o acto de "encantar",
o momento encantado,
uma companhia encantadora
talvez me pareça o mais "caro" do que se possa pedir... ou sentir... esta atitude perante a vida, os outros, tudo em nosso redor, esse estado de suspensão entre o deslumbre e a desilusão, e a arte de o fazer perdurar, saboreando a simplicidade, aceitando a oferta
estar encantada é ser sempre, ou ainda, agradavelmente surpreendida
estar encantada é acreditar em coisas boas, ou saber descobri-las
estar encantada é ser ainda criança,
é viver cada momento, festejando o presente
vivo e sumarento, colorido e harmonioso,
sem medo do que depois dele virá
sem cobranças ao passado
estar encantado seria mais do que esperado
perante tanta beleza que se nos oferece,
diante do milagre da vida,
e da consciência que nos revela o quanto pequenos e insignificantes somos numa imensidão sem fim
O encantamento de sermos organismos tão quase perfeitos e completos, neste caos organizado
o encantamento de sabermos que, do primeiro dia ao último podemos crescer sem parar, caminhar sem desistir, sempre, e dentro de nós acarinhar essa alma sem idade que persiste em olhar com ternura e expectativa este desenrolar de paisagens interiores que nos encanta os dias, uns mais desencantados do que os outros... mas sempre a construir... um encanto de vida!

terça-feira, julho 28

Esperar é uma canseira
Esperar muito é Zen
... de tanto esperar adormece a inquietação que, quando é constante e continua, acaba por se esgotar
no lugar da ansiedade começa então a instalar-se uma pacífica indiferença onde o "estou por tudo" ou "venha o que vier" quase roçam o "que se lixe"
Estou há cerca de 2 meses a aguardar um pedido de reclassificação que tarda em chegar
Depois de voltas e reviravoltas infrutíferas, atirei-me em papel A4, numa escrita explicativa, concisa e emotiva, à capital... mais exactamente ao gabinete do Valter Lemos de onde veio pronta resposta! Pedia ele, (ou alguém por ele) à Direcção Regional do Sul que o meu processo fosse revisto com "URGÊNCIA"... imagine-se se não fosse esse o carácter com que carimbou o meu "caso"...
Como sou obsessiva tento não me lembrar com irritação desta espera que me desespera durante as 24 horas do dia... lá vou conseguindo...
sinto-me assim numa espécie de limbo onde não sei se me preparo para descer aos infernos ou me encho de ar para subir aos céus... tudo dentro das suas relativas proporções e relatividade, óbvio...

o que me faz feliz

o que me faz feliz
o meu mundo ao contrário

O meu Farol

O meu Farol

A bela foto

A bela foto
o descanço dos meus olhos

A minha cama na relva

A minha cama na relva

O meu Algarve

O meu Algarve

...enquanto uns trabalham...

...enquanto uns trabalham...