sexta-feira, outubro 10

Chega de birras e lamentos ou A Besta e a Crise

... pronto, já chega... acabou... não quero saber mais da vossa crise, e das falências várias em que o vosso desgoverno desaguou... gastaram o que não tinham, acima dos vossos fundos, iludiram quem vos procurou, com meias palavras e falsas promessas, andaram a acenar tentações irresistíveis a ingénuos, ou tolos, que pecaram por acreditar que podiam sonhar com... um jipe para o mais novo, uma viagem ao Brasil, uma casa mais espaçosa, outra a construir no litoral... logo se paga, logo se vê... a sociedade em festa, o crédito oferecido, impingido, para tudo o que se queira!!!
... e agora? Tenho que vos secar as lágrimas? Querem que chore convosco, que me fuja o sono?
Onde e como está o resto do mundo? Deixou de existir? Temos que atravessar convosco o árido deserto dos telejornais, a que, sei lá quando, me habituei a chamar notícias, onde o tema é chafurdado e esmiuçado até ao fio... crise, a crise, maior, mais gorda e demolidora, justiceira e cega, destrutiva, assustadora, como nunca antes foi, a pior!!!
Mas, minha gente, saibam que, desde "a entrada" do euro na minha carteira, que estou a viver uma crise sem par... pior a cada dia, a cada carrinho de compras, sorte que tenho uma boa vida... para lá da miséria material a que o meu patrão me "obriga"!
A crise, para mim, já fez os estragos que podia, aprendi a comer mais açordas e sopas de tomate com pão, sair menos, faço mais jantares e festas em casa, discute-se um pouco mais , para não deixar mal o ditado " casa onde não há pão, todos ralham e ninguem tem razão", nada de especial, só para cumprir com a tradição!
Por algum acaso tiveram que me secar as lágrimas?
Acordei alguém com os meus suspiros durante as insónias em que as contas do deve e haver teimam em pender e pender e pender, até ao sufoco, para o lado da insónia????
Pois agora aguentem-se, sejam homenzinhos, enfrentem esse buraco negro em que se meteram, e nos enfiaram por efeito dominó!
... cambada de mariquinhas sem escrúpulos, agora querem colo? Tecto e protecção?
Agora querem ajuda? Uns milhares de milhõezinhos, é?
Apelam, esperneiam querem contagiar-nos no vosso desespero... mas enquanto vocês se desesperam por cortar uns zeros desta ou daquela conta, a vida por aqui continua, é que nós "aprendemos a reduzir as necessidades, para conseguir passar bem"... são anos de árduos trabalhos, centenas de refeições, montes de projectos adiados, sonhos amarfanhados em gavetas, imensos carrinhos de compras estudados ao cêntimo, reduções e reduções, até áquele ponto em que nem xineses, nem 150entas, nem saldos, nem rebajas, até ao último furo...
Por outro lado... haja música, ar puro, um sorriso, uma boa sopa, um bom livro, alegria, mar e areia, amor, e sempre aquela energia de sacudir a poeira e dar a volta, e cá estamos, acreditando que este dia chega ao fim sem dramas maiores... como diz um amigo, "é preciso é que não piore", vamos vivendo, como Deus, seja lá o que ele fôr para cada um de vós, vai sendo servido, momento a momento dia a dia!
... e cá no fundo lá vamos seguindo com este palpite latente, como o pulsar de uma besta que nos espera, faminta, no escuro, ansiosa por nos devorar, extorquir, aniquilar, derrubar, até ficar sózinha, no deserto que é a sua casa, atolada no seu próprio esterco, doida, cega, investindo contra fantasmas, sabendo que enquanto sentir o cheiro de sangue sabe que ele corre nas veias de um, nem que seja o último homem vivo para ser chulado e explorado até ao nada!
As boas notícias talvez venham depois, sejam lá quais forem, quando a besta se comer a si própria talvez o estrume que produziu nos deixe plantar um jardim!

quinta-feira, outubro 9

As amigas fazem bem à saúde umas das outras.... já desconfiava!
É mesmo uma circunstância, física, hormonal! Assim rezava um curioso mail que recebi ontem!
Não é de estranhar... depois de um par de horas de desabafos e blasfémias, toda a agressividade que nos invade em certas ocasiões, e que tanto mal faz à saúde, se transforma em qualquer coisa mais racional, menos impulsiva, menos nefasta!
Os impulsos amorosos, as considerações sobre tudo e nada, as certezas e as indecisões, toda a desorganização interior em que por vezes nos encontramos, os amores e desamores, as traições, os filhos e enteados, as sogras e os colegas de trabalho, a sexualidade, o erotismo, as angústias e alegrias, tudo, mas tudo mesmo, é legítimo trazer a uma conversa de amigas!
Assim como a raiva, ou a sede de vingança também a entrega e a generosidade, a desconfiança e a confiança, os sonhos e as limitações, tudo é passado a pente fino, explicado, pensado em voz alta, damos às amigas toda a nossa cartilha, o nosso GPS para encontrar o que se procura, o nosso mapa da felicidade, os conselhos que acreditamos mais úteis e válidos, a cada momento, em cada situação, ali, à distância de um telefonema, um mail, um encontro!
Em todas as idades as amizades fazem falta; é importante saber ter, e conservar, amigas, pela vida fora, com zangas e os perdões, para lá das distâncias e da falta de tempo ou oportunidade!
Os homens dificilmente abrem o coração num desbragado desabafo... é tudo mais contido pois, habitualmente, nem a si próprios confessam o que lhes vai dentro... nem sentem necessidade de esmiuçar miudezas, entender tanto os porquês das insignificâncias do dia a dia!
As mulheres conseguem ter várias conversas a decorrer em paralelo, acompanhando todas elas sem dificuldade, e, em simultâneo, mudar uma fralda ou ir fazendo uma sopa... os homens é mais à vez... uma conversa ou uma actividade de cada vez... quando estão a falar connosco ficam muito descrentes da nossa atenção se não pararmos tudo para olhar para eles enquanto falam... pensam mesmo que ficamos surdas enquanto desempenhamos qualquer acção, e incapazes de agir enquanto usamos os ouvidos!
É-lhes, ao que parece, difícil entender que viemos preparadas para a polivalência doméstica; sobrepomos e desdobramos os nossos papeis, e intervenções, com uma simultaneadade às vezes surpreendente! Nem poderia ser de outra maneira... quantas refeições ficariam em carvão se assim não fosse, e os filhos em lista de espera enquanto as mulheres organizavam a sua lista de prioridades, desligo o lume ou atendo o telefone?... acudo ao choro do bebé, ou vou à porta, ajudo ou acompanho os TPC do mais velho ou dou banho ao outro... enfim a polivalência desenvolveu-se desde sempre por necessidade óbvia, como resposta a uma incontornável necessidade! Hoje esta ferramenta que "construimos" dá-nos para cima de um jeitão!
Para mim, que vivo só com homens em casa, nem sempre é fácil... enquanto eu organizo várias coisas ao mesmo tempo e estabeleço mais do que um diálogo com os meus filhos e marido, eles pensam que eu estou confusa, sentem-se baralhados... tenho mesmo que pensar para dentro porque quando me organizo pensando alto, eles julgam que estou a pedir ajuda e distribuir culpas e tarefas...
De facto, com tudo o que isso tenha de bom e de mau, os homens são menos complexos do que as mulheres, mais óbvios, pelo menos a maioria deles!
... agora um ponto a nosso favor é que, tenho para mim, que nós, quando inteligentes e maduras, temos uma maior capacidade para entender como funciona o mundo deles... para eles entenderem o nosso já o caso muda de figura... estou convencida que apenas uma pequena percentagem de entre eles pode atingir a "complexidade" feminina e compreendê-la de forma isenta, descomplicada e descomplexada... é que nós somos mesmo muito labirínticas, muito tortuosas, com variações de humor que só mesmo o mundo feminino pode entender, e nem sempre entendemos, tudo complicado, muito sentido, muito emotivo...
e tudo muito, muito, e MUITO!
... e tudo!

sexta-feira, outubro 3

Os amigos da almofada

... já dormia...
Mas ainda são apenas 14.30... daqui até ao travesseiro vou ter de mostrar trabalho!
Sempre me causou estranheza a recusa que têm certas pessoas em entregar-se ao sono com prazer e alegria... alegria, sim senhor!
A convicção que têm de estar a perder tempo, a desperdiçar vida, fá-los resistir até ao último pingo de viglia, não se entregam nem por nada, acabam derrotados e amarfanhados, num sofá, abandonados pelos mais sensatos, ou comodistas, que já se recolheram ao conforto da cama (quem tem a sorte de a ter) assim que sentiram o primeirio apelo!
Dessa derrota no sofá resta a saída do despertar súbito, em sobressalto, a meio da noite, em som de fundo as televendas, ou quejandos, a casa muda, solitária, o torcicolo a lembrar-nos o braço de ferro que nos derrubou, ali, no sofá... há um par de horas, mais uma vez....
Caramba, irmãos, se somos diferentes... já eu preparo-me para esse momento do dia com alegria e até, algum entusiasmo!
Se não é bom, o momento de apagar a consciência, como quem apaga uma luz, a luz que deixa tudo iluminado, mesmo aquilo que não queremos ver, essa consciência que me faz sentir dentro de uma gaveta, ou uma casa, enfim um espaço, em que tudo depende da minha capacidade de organização, de método, de atenção e sensibilidade, esse espaço que levo os anos, a vida, a arrumar mas o trabalho por fazer pesa na balança levando sempre a melhor...
Ter na mão a chave para outro espaço, um espaço de sonho, em que as memórias navegam à vontade, em mares de sentimentos e emoções, tudo sem censura, sem lógica, de forma aliviada, embalados, à solta, fazendo todos os desvios e introduções de colagens misturadas, desarrumadas, caóticas, ao sabor do saber de nós para lá de nós!
Por uma vez esquivamo-nos, saímos, levados no sonho para um improviso em que dentro de nós tudo é convidado... excepto nós, tal como nos reconhecemos!!!
Caramba... isto pode ser uma aventura muito divertida, e repousante... ou não???

quinta-feira, outubro 2

Navegamos esta vida como passageiros ocupantes de um lugar que não nos pertence mas a que nos agarramos com unhas e dentes como se valesse a pena...
... não, não vale mesmo a pena... quando chegar a nossa paragem vamos mesmo ter de abandonar esta viagem, mesmo que ela esteja no seu início, ainda que esteja no melhor, apesar de todos os argumentos e para lá de toda a justiça ou injustiça, podemos estar certos, quando a hora chegar é mesmo borda fora... a queda, o vazio, a eternidade do nada,... ou a eternidade do tudo, depende ...
Vale a pena a vida, com tudo o que dela podermos extrair de bom, de partilha e amor, tudo o que cresça na memória, no sentimento, na emoção, tudo o que possa voar connosco, para onde o "empurrão" nos levar...
Tudo o resto fica!!!
Sem apelo, sem mas, mas, sem porque eu sou rico e poderoso, nada, nadinha, fica tudo por aqui... NINGUÉM leva nada!!!
Então para quê assambarcar, para quê acumular muito mais do que se pode gastar numa vida?
A ganância material ainda dificulta mais a despedida, levar a vida a construir um império e ter de o largar contra vontade deve doer... e muito!
Partir e deixar por cá o rasto da generosidade, da justa repartição do que não nos pertence, da solidariedade, deve fazer do momento da partida um desenlaçe menos penoso... digo eu ...
... e não me venham com aquela que isto é mesmo conversa de "tesa", de quem nada tem para partilhar, a não ser... isto umas palavrinhas, uns pensamentos, ideias, conselhos, amor, atenção, compaixão, e tudo isso vou largando já, quero que à minha volta saibam que amo, que desejo a todos o melhor, que não sinto raiva, nem ódio, a ninguém!
A todos desejo bem, para todos desejo conforto e carinho, bem estar e amor!
... que será isto que me está a dar...

sexta-feira, setembro 26

A ideia de normalidade tira-me do sério
É que, a bem dizer, tal não existe
Todos sabemos que não há quem não tenha a sua pancada, salvo as excepções que a regra implica.
É de tal maneira grave presumir que a normalidade é a norma, que, temos neste momento uma situação profundamente anormal e injusta nas escolas, a ser vivida por um número significativo de alunos, os seus professores e as suas famílias... estamos de facto a comprometer um futuro improvável para quem nasceu com um qualquer ritmo que os demais entendem não ser o que as expectativas prometiam...
A verdade é que a normalidade é uma abstração quadrada, que deixa de fora grande parte de nós.
Era suposto os alunos portugueses só transitarem do ensino básico para o ciclo depois de adquiridos determinados "saberes".
Um enorme número de crianças não os atinge. Os seus professores esforçavam-se, até ao desespero, para os puxar, ou empurrar, até à fronteira, esperando que do outro lado uma mão firme e bem preparada lhes pudesse amparar o percurso a partir daí... infelizmente o sistema é cego, não tem cara, nem corpo, tem apenas decretos e leis que uniformizam, e tentam normalizar situações que são cada uma um caso, todas diferentes e não é ignorando, como se pretende fazer, integrando estas crianças em grupos grandes, de turmas regulares com ritmos equiparados entre elas, que vamos conseguir resultados mínimos satisfatórios!
Como podemos pedir a uma criança que entenda as regras básicas da matemática ou da língua portuguesa se ela desconhece a existência de REGRAS???
Como se pode esperar duma criança, com um enorme défice de concentração, que se aperceba da presença de um professor numa sala, onde vinte, ou mais, alunos barulhentos interagem entre si, levando para voos interiores a réstia de capacidade de concentração que podia ter esta criança!
Não seria muito mais realista aceitarmos a diferença, muito menos cruel? Nem posso imaginar o sofrimento e o desfazamento em que se desenrolam estes dias infindáveis de aulas de história, geografia,etc, etc, têm estes miúdos que aguentar um castigo que não merecem, não lhes adianta NADA... já não falando do prejuízo para uma turma, com programas extensos, maçudos e desadequados, com um professor aflito para cumprir timmings impostos por quem nunca trabalhou no terreno, digo eu que nem percebo nada disto.
Certos miúdos tinham muito mais a aprender com um adulto meigo e paciente que simplesmente lhes desse a mão e os levasse a viver um dia simples e organizado com lógica e consequência... estilo, vamos às compras, temos de fazer uma sopa, ou uma massa, tudo o que isso implica, entre escolhas, esperas, encontros e surpresas, um dia a dia simples, aprender a partir de um nada, lançar um projecto básico, vamos à rua, vamos ao parque ou ao supermercado, afinal uma mãe emprestada, um tutor, alguém que procure dentro deles o fio duma meada que no meio de uma turma e com nnn disciplinas a serem ministradas, só pode saír uma resposta autista do ostracismo a que este tipo de crueldade os pode remeter!
Vão todos concluir o 9º ano, mas a que custo, para enganar quem, a troco de quê???
Ensinem-nos a andar na rua, a terem higiene, a sentar, a esperar, a usar as ferramentas com que veio apetrechado para ser o mais autónomo e útil primeiro a si, depois à sociedade a que pertence mas, e acima de tudo isto ensinem-nos a ser um pouco ou muito felizes, se isto não é fácil para os outros para eles, com o rumo que lhes estamos a dar, pode vir a ser ainda mais complicado do que seria desejável.
Não é justo... nem para eles que têm direito ao seu ritmo próprio, nem para os professores, nem para as famílias... a dignidade de todos fica posta em causa, andamos a brincar com um assunto tão melindroso pensando que podemos iludir uma realidade que desta maneira vai crescendo, crescendo sem solução, à custa do sofrimento e do esforço de todos os que estão implicados neste insustentável processo em que todos saem a perder, principalmente estas crianças que vejo todos os dias na minha escola, misturados numa massa quase anónima em que a vaga noção que têm de si e dos outros se dilui irremediavelmente!
então bom fim de semana, para eles e os outros, para mim , vocês e os demais

quarta-feira, setembro 24

Para manter a casa arrumadinha (logo eu que não gosto mesmo nada de arrumações) excluí alguns dos links já bolorentos que por aqui andavam... não é que só visite os que aqui agora reorganizei mas, sem saber bem porquê, é a estes que bato à porta depois das ausências, é neles que me sinto mais familiarizada, ou identificada. Com o tempo hei-de repensar e reorganizar estas "pontes"!
Ontem fui ver " O segredo do couz couz", gostei... mas gostava muito mais se tivesse ido sózinha... arrastei três companhias muito desadequadas, 16+16, podres de sono e de fastio, fartam-se de gozar comigo quando digo que este é que vai ser mesmo bom, no Al Gore só faltou deitarem-se no chão a ressonar,... a terceira companhia... um homem de acção, muito mais virado para fazer aparecer coisas com as suas mãos do que com o seu coração e que não perde 5 minutos para mergulhar nas emoções e ondulações que animam e desanimam as relações e o mundo interior de cada um!
Para compôr, a sessão, promovida pelo Cineclube a quem estou muito agradecida, foi pontuada por um excesso de decibéis quase insuportável, tudo o que se disse naquele ecran foi-nos gritado aos ouvidos até à surdez...
Tirando isso achei o filme muito a meu gosto, cheio de silêncios e olhares muito humanos, fez-me sentir em família! Tudo se passa como se não estivessemos no papel de observador... não há espectáculo... é a própria vida que se desenrola no ecran...
Talvez eu goste mais de vida do que de espectáculo e por isso gosto de cinema pouco apreciado, parado, daquele que dá sono e nos esquecemos de nós e de tudo o que não seja aquela luz em movimento... a vida de algo que está para lá do escuro e do silêncio da sala onde nos encontramos, muito real, muito sentida, sem lantejoulas nem froufrous, sem explosões nem perseguições!

segunda-feira, setembro 22

Ecos e melodias do silêncio

O silêncio é sublime
apaga o que lá vai, alimenta o que há-de vir
é nele que me reencontro e é ele que me encontra quando ando perdida
conheço pessoas que no seu silêncio nunca estão caladas, outras que já se calaram há muito mas ainda as oiço
outras que no seu silêncio me gritam palavras mudas
... ecos do silêncio onde oiço tudo o que ficou por dizer
... melodias de palavras ditas em silêncio
... o silêncio dos olhares, a linguagem dos sentidos, o toque que é reticências, o abraço, dois pontos, travessão...
...a conversa acabada, sem retorno... ponto final, parágrafo
...tanto e tantas palavras, pensamentos e ideias que voam livres dentro de mim e me falam e gritam ou sussurram sobre o silêncio, do silêncio e em silêncio!

Outono e regressos

Pé ante pé, devagarinho, empurro a porta virtual
com cerimónia, em silêncio,... entro, penso:- ... estou sózinha... no ar ainda me conforta a memória dos encontros!
Encosto-me num canto, respiro baixinho e oiço-me a fazê-lo, estou viva e as portas estão abertas.
Para lá de mim a janela lembra-me... o Verão acabou, mais um que é empurrado por um Outono que promete o reencontro com as nuvens, e o frio, e a chuva.
O som abafado da natureza húmida, que na ansia de lhe matarem a sede abre os ramos e os regatos num abraço molhado de alegria!
Gosto do Outono
Está a chover...sinto-me fresca e preparada
PS afinal o espaço não está vazio, vou espreitar quem me espreitou

sexta-feira, setembro 19

Talvez nem seja necessário entender este interregno, talvez nem deva acreditar que calei este silêncio que se arrastou para lá da minha vontade...
... inércia? Certamente!
... preguiça??? Alguma!
Tenho a sensação de que os horizontes da minha vida estiveram voltados para outras paisagens, e de costas viradas para o migalhas, nada de premeditado, aconteceu!


Talvez afinal, eu, que quebro todas as rotinas e viro do avesso qualquer ideia que se faça, ou qualquer expectativa que se tenha em relação à minha pessoa, afinal ,dizia eu ,sou arreigada demais aos hábitos que estabeleci... é nesta cadeira azul, nestes espaços entre outros espaços, que me brota o desejo, a saudade e o impulso de procurar uma migalha que me console, e dê alento e alegria, que acrescente uma qualquer riqueza ao meu dia... e assim lembro-me e corro para o meu migalhas... aqui desaguo de dentro para fora, liberto-me, dou ás asas e entre voos pergunto-me:
- Se isto me sabe tão bem, quando abro esta janela que me dá momentos de gozo tão próprios, poque será que no meu horizonte estival este mundo fica tão distante de mim, que chego a esquecer-me da sua existência!!!
Voltei; agora que os meus dedos percorrem o teclado sem me darem sequer tempo para pensar estou segura, voltei mesmo e estou feliz por isso.
Migalhas, estou de volta, continuo a gostar de ti e dos nossos convidados, aqui vou voltar de novo para abrir a minha caixa de Pandora, o meu miolo mais recondito, o meu coração mole, a minha indignação, a solidariedade e ternura que sinto por todos nós, por todos vós, aqui vou voltar para os encontros, as palavras e as confissões!
PS não sei se por aí anda ainda alguém mas se eu fôr de porta em porta acredito que vou confirmar: NÃO ANDO SÓZINHA NISTO!
Beijos e xicorações
Bom fim de semana A TODOS

quarta-feira, julho 16

" O Regresso" ou "Marinho Pinto",

Quero voltar...
juro
quero, mas não consigo
Gostava de o fazer em grande... não, não é bem isso... quero voltar para postar sobre um tema grande,... e tão suculento que até me sinto cheia de despudor só por tentar descascar um fruto tão apetecido... faltam-me garras, e outras coisas.
Desculpo-me por não escrever algo de surpreendente sobre MARINHO PINTO, mas ouvi-lo foi um dos útimos grandes prazeres que a televisão me porprocionou, e por isso, vejo-me compelida a comentar as suas palavras e postura, antes de qualquer outra "migalha"... ou não me desculparia... é porque no meu blogue não falo só de migalhas, falo também de assuntos verdadeiramente interessantes, sobre pessoas verdadeiramente inteligentes e verdadeiramente cobertas de razão!
... e se eu não tiver prosa que baste, peço por aqui e ali palavras que falem por mim e festejem esta lufada de ar fresco, que me consola no meio de tanta pestilência !

o que me faz feliz

o que me faz feliz
o meu mundo ao contrário

O meu Farol

O meu Farol

A bela foto

A bela foto
o descanço dos meus olhos

A minha cama na relva

A minha cama na relva

O meu Algarve

O meu Algarve

...enquanto uns trabalham...

...enquanto uns trabalham...