quinta-feira, setembro 24

Há sempre uma primeira vez

Pois é... eu que cozinho à farta, e com gozo, aqui deixo a minha primeira receita

SOPA DE LENTILHAS COR DE LARANJA

Enquanto prepara os vários legumes deixe as lentilhas, previamente lavadas, de molho em água (a utilizar depois na confecção da sopa)

+ ou - 2 chávenas de lentilhas laranjas
1 nabo
2 batatas doces médias
1 batata redonda média
2 cebolas
2 dentes de alho
uma boa talhada de abóbora menina (não havendo vai frade)

Opcional
1 tomate
hortelã

Procede-se como habitualmente... panela de pressão, tudo junto, cerca de 30 minutos, antes de pôr a varinha mágica adicionar o azeite!
Pode fritar cubinhos de pão na hora e servir com uma folhinha de hortelã
... é minha e é boa!

sexta-feira, setembro 4

O prazer da leitura

É um dos grandes gozos que desta vida me ofereço, o prazer da leitura
De uns livros gosto mais, de outros menos
como toda a gente
uns por me envolverem num argumento sumarento, outros pela sua originalidade, também me rendo incondicionalmente à qualidade literária; um talento personalizado e superior para usar as palavras vestindo na perfeição a ideia trabalhada... e apurada... até que o outro, o leitor, a devore... ou com ela se delicie!
Pelos mais variados motivos faço de um livro o meu companheiro até ao voltar da sua última folha... até que o tenha consumido fisicamente da primeira à última página e possa então alimentar-me verdadeiramente de cada letra, palavra, ideia... todos os capítulos a circularem-me alinhados ou em confusão por mim a fora... e dentro!
Mas o livro que amamos enquanto o lemos, aquele que nos tilinta por dentro ao longo das horas que não passam, marcando-nos um encontro muito íntimo, irresistível, aguardando com impaciência o regresso a casa... esses não são tantos assim...
Estou aqui a teclar pensando nele, no tal apelo que me leva a sentir que tenho à minha espera um prazer, um gozo, um momento de silêncio e encontro como só na leitura se consegue.
Assim que lhe conheci o nome fique imediatamente com os sentidos alerta... pareceu-me que chamava desde logo a minha atenção:
" A Solidão dos Números Primos"
Tudo no livro vale a pena, tudo é único, jovem e rejuvenescido, original, muito muito ternurento e emotivo, maduro e profundo, leve mas muito consistente, tanto que até pode parecer pesado, inteligente, arrebatador e comovente, único!
Quando comecei a sentir o desejo de transcrever uma e outra frase, uma conclusão, ou constatação, página após página, percebi que me devia deixar levar, como um menu de degustação, uma viagem ao passado, presente e futuro dos nossos sentimentos e afectos, da igualdade da diferença e da diferença da igualdade, tão mas tão bem conseguido que tenho de parar de tempos em tempos, respirar fundo, sorrir e deleitar-me com tão fantástica partilha!
Bom, já deu para perceber, é que estou mesmo a gostar do livro!
... dá para meninos e meninas.... jovens médios e entradotes... todos... penso eu...
... ah e se querem saber autor e sua biografia, editora e coisa e tal, isso não é aqui.
Aqui é mesmo só para dizer um bolas, BOLAS... não deixem de ler... é um EXCELENTE livro!

terça-feira, agosto 4

Encanto

Estar encantada!
Um encanto de pessoa;
Acordar e adormecer encantada...
O estado do "encantado",
o acto de "encantar",
o momento encantado,
uma companhia encantadora
talvez me pareça o mais "caro" do que se possa pedir... ou sentir... esta atitude perante a vida, os outros, tudo em nosso redor, esse estado de suspensão entre o deslumbre e a desilusão, e a arte de o fazer perdurar, saboreando a simplicidade, aceitando a oferta
estar encantada é ser sempre, ou ainda, agradavelmente surpreendida
estar encantada é acreditar em coisas boas, ou saber descobri-las
estar encantada é ser ainda criança,
é viver cada momento, festejando o presente
vivo e sumarento, colorido e harmonioso,
sem medo do que depois dele virá
sem cobranças ao passado
estar encantado seria mais do que esperado
perante tanta beleza que se nos oferece,
diante do milagre da vida,
e da consciência que nos revela o quanto pequenos e insignificantes somos numa imensidão sem fim
O encantamento de sermos organismos tão quase perfeitos e completos, neste caos organizado
o encantamento de sabermos que, do primeiro dia ao último podemos crescer sem parar, caminhar sem desistir, sempre, e dentro de nós acarinhar essa alma sem idade que persiste em olhar com ternura e expectativa este desenrolar de paisagens interiores que nos encanta os dias, uns mais desencantados do que os outros... mas sempre a construir... um encanto de vida!

terça-feira, julho 28

Esperar é uma canseira
Esperar muito é Zen
... de tanto esperar adormece a inquietação que, quando é constante e continua, acaba por se esgotar
no lugar da ansiedade começa então a instalar-se uma pacífica indiferença onde o "estou por tudo" ou "venha o que vier" quase roçam o "que se lixe"
Estou há cerca de 2 meses a aguardar um pedido de reclassificação que tarda em chegar
Depois de voltas e reviravoltas infrutíferas, atirei-me em papel A4, numa escrita explicativa, concisa e emotiva, à capital... mais exactamente ao gabinete do Valter Lemos de onde veio pronta resposta! Pedia ele, (ou alguém por ele) à Direcção Regional do Sul que o meu processo fosse revisto com "URGÊNCIA"... imagine-se se não fosse esse o carácter com que carimbou o meu "caso"...
Como sou obsessiva tento não me lembrar com irritação desta espera que me desespera durante as 24 horas do dia... lá vou conseguindo...
sinto-me assim numa espécie de limbo onde não sei se me preparo para descer aos infernos ou me encho de ar para subir aos céus... tudo dentro das suas relativas proporções e relatividade, óbvio...

terça-feira, junho 9

Bons feriados para todos

Tantos os sentimentos...
tantas as palavras
tamanhas as emoções

para mostrar apenas o silêncio

no fundo as angústias embrulhadas nas incertezas
os desejos camuflados, com andrajos de frustações
o silêncio do grito mudo,
sufocado num labirinto de solidão
as ilusões sob os escombros das desilusões,

e dentro sempre a crescer
imparável
um ser de certezas
que incomoda
um mundo de humilde sabedoria
que não se pode esconder, nem calar
o bem estar que se sente
e que sem se querer agride

por alguns aplaudido
o caminho vai-se fazendo

no cume das nossas pequenas montanhas
podemos ver o afastamento de quem se sente ameaçado
crescendo no sentido inverso...
... maior a distância que nos separa ,
mais pequeno o espaço que ocupa
ali, na nossa solidão, já só o nosso olhar pede conforto
procurando ansioso o outro que cego só olha para dentro

... e por dentro o crescimento não pára
sempre, sempre
como um balão que sobe, sobe no ar
até se perder do olhar
de quem só por ver crescer se sente abandonado, traído
e por isso se revolta e por isso magoa
... e por isso lança o balão de novo para longe,
para o alto,
para lá onde ninguém o alcança,


...nem mesmo aquele que o lançou

quarta-feira, maio 20

Assim tanto espaço também não....

Então é por isso
Quando os homens e o seu mundo ocupam demasiado espaço dentro de mim, como se fossem, de facto o centro de tudo o que existe, quando o meu olhar não alcança mais do que as suas casas, as suas construções, os seu meios de transporte, o meu ouvido se enche dos sons que produzem... eles e o mundo que é só deles, com as suas máquinas, as suas vozes, os seus ritmos alucinantes e alucinados, quando para encontrar o meu equilíbrio tenho de olhar para o céu, procurar o seu azul, ou viajar nas suas nuvens, quando já não sei se as estrelas ainda brilham, se a lua está cheia ou nova, quando tudo isto e muito mais me acontece eu sinto uma irresistível necessidade de fugir!
Sinto-me mal... triste e envergonhada, pertenço a uma espécie assustadoramente invasora, parasita e prepotente, em que os mais fortes esmagam os mais fracos, até mais não poder; consome hoje em excesso, desperdiçando, o que amanhã há-de ser vital aos seus filhos;
causa sofrimento aos seus irmãos... e rejeita como irmãos aqueles que são diferentes!
Assiste indiferente ao desaparecimento de outras espécies e foge aos saltos e gritinhos quando algum outro animal se cruza no seu caminho, tem nojo das rãs e dos camaleões, confunde abelhas com vespas e desespera nas cidades porque os pombos lhes sobrevivem!
Guarda muito mais do que alguma vez vai precisar para si , ignorando que o mundo à sua volta só pode ser aprazível se houver sensibilidade e solidariedade!

terça-feira, maio 19

Cidade, para mim

A cidade surda fala-me das histórias dos homens
A cidade fala-me em excesso
... não das suas histórias de conquistas e venturas, das suas esperanças e alegrias,
... nem dos seus sonhos...
A cidade fala-me das suas misérias, da paleta suja das suas frustações, da sua solidão.
Nos seus olhos baços e tristes vejo tudo o que os homens da cidade não viveram, a alegria que lhes escapou, as árvores que não plantaram, os luares que lhes escaparam, vejo os seus futuros empenhados e as suas ilusões engaioladas em becos sem saída
O sufoco em que sobrevivem, a sua luta diária
...sinto tão absurda, intensa e desesperadamente o seu naufrágio que todo o brilho em mim se extingue!
Já não sei se o dia morre, se o sol se põe
Já perdi o azul intenso do céu
o canto dos pássaros
oh desventura, que triste ser cidade
não preciso de ser cidade para me perder de mim, nem de ser natureza para me encontrar
dentro de mim guardo a chave para encontrar toda a luz, toda a graça, toda a força
mas a cidade invade-me com toda a sua enorme e profunda tristeza e leva-me a redescobrir prantos que já esqueci, lágrimas que já não quero derramar
Cinzenta afasto-me dela, fraca e triste, e aqui, longe do betão e dos rostos anónimos e perdidos na sua inconsolavel solidão, lambo as minhas feridas e peço ao sol que me aqueça e embale!

quarta-feira, maio 13

Sem vrrrrruuuummuuuuuss, por favor!!!

É curioso quando somos levados a reconhecer a existência de algo pela sua ausência!
O ruído
Quando o nosso dia é passado num ambiente onde muita gente circula, sendo que a maior parte são jovens e crianças, é uma constante o barulho de fundo que acompanha todos os momentos das nossas horas de trabalho!
Através desse som permanente podemos sentir o pulsar dos ânimos, dos humores!
Ao entrar na escola, logo de manhã, posso, quase, adivinhar o clima... o dia da semana... a época do ano...
Outras vezes um conflito latente que provoca um sururu, uma trica, uma fofoca, novidade ou surpresa e logo as conversas sibiladas pelos cantinhos... tudo, tudo isto se reflecte no meu ouvir e se traduz numa informação que com o tempo vou aprendendo a descodificar!
A excitação do fim-de-semana ou o entusiasmo com os finais de período... ou os primeiros dias de sol, são particularmente barulhentos!
As cenas de "porradona", e então quando o conflito é entre miúdas, dão sempre um ar que se enche de ruídos de felicidade geral, de festa, com pompas de grande evento iminente, imperdível, desmarcado mesmo!
Certos acontecimentos, mortes e acidentes, doenças e catástrofes naturais, por esse mundo fora, acordam a escola num respeitoso murmurar, entre sussurros e conversas sentidas, até que a normalidade se instale de novo!
Hoje, um misterioso e acolhedor silêncio acompanharam os meus passos quando entrei na escola e subi as escadas até à biblioteca!
Uma ausência, um vazio, um limbo sonoro... como se tudo esperasse um início anunciado de qualquer acontecimento que me escapava!
Assim começou o meu dia, neste aprazível fundo sonoro mudo e quedo, onde, apesar de rodeada de cerca de 400 pessoas, me senti quase a única com existência real , e os outros faziam a habilidade de serem em silêncio, parte do meu mundo!
Sou, (falo por mim embora me pareça que não se pode ser doutro jeito), fisícamente muito sensível aos sons/ruídos que me acompanham... penso que esta sensação de "bagunça" se instalou no fim-de-semana dentro da minha cabeça, pois levei o "santo" domingo a ouvir um campeonato de motocross, ali ao alcance do meu aparelho auditivo, uma autêntica violação, em que eles vruummm, vrummm, vrruumm vrruumm todo o dia, um gasto de combustível e paciência, um desespero, dizia que este caos auditivo em que fiquei só hoje se desanuviou, "por conta" desta aprazível e aparente acalmia que hoje se respira na escola... e nem sei porque é... efeitos da crise, talvez, um compasso para digerir, um tempo para carregar as baterias, no silêncio da nossa interioridade!
Sem vrruumms, nem vrruumms!

sexta-feira, abril 24

25 de Abril

Já não se inspirava fundo há muito...
...o ar escasso já mal nos chegava aos pulmões...
... coragem,talvez o último furo do cinto... mmmnnn, ui, só mais um furinho, devagarinho, suster a respiração;
... finjo-me de morto, o frigorífico vazio anuncia-me com frieza: - Nesta casa os restos de ontem não garantem a fome de amanhã...
Descalabro, hecatombe, tsunami...derrocada, pumba e catrapumba, fujam... vem aí o seguro do carro, ai, ui, o IRC, mais o modelo 3 que não entra, 1, 2, insiste, insiste de novo, vai uma, vai duas, o tempo a passar, os prazos a fugir, "as pulgas a saltar e as meninas a aprender , quem será a mais bonita... " lá entrou... porra... vem multa, entre tentativas estou com uma semana de atraso, vem coima... que nome feio, este!!! Coima que os pariu!!!
... e nós rapa no fundo, conta o tostão, mexe e remexe no que já foram as sobras de ontem, mas o fundo do tacho já alguém o rapou... ou lambeu...
...assim se leva, assim se vai, "as pulguinhas a saltar e as meninas a aprender"... Aguentem, respirem com o ar que retiveram nos pulmões, já ninguém se lembra há quanto tempo, se calhar está para lá de inválido, fora de prazo! Não há outro, aguentem-se, respirem, inspirem, não se deixem ir abaixo, olhem à volta...
Submersos em água, expectantes, aflitos por uma bela inspiração, assim encontro à minha volta um número considerável portugueses, cujo patrão é o dono do negócio, o chefe manda, ele sabe quanto nos paga, quanto nos rouba, já que aquilo que nos leva não paga a justiça que precisamos mas não temos, a saúde que se ansiava saudável, mas está mais moribunda do que um doente terminal, a educação de merda que nos leva em livros as prestações do mês de Setembro... e de Outubro... e que nos ensina os filhos a saberem coisa alguma, que no futuro não lhes vai servir para nada... nem para apertar um parafuso ou saber onde fica "a França"!
Em troca dão-nos estradas que não nos levam a nenhum lado, pontes que nos ligam a coisa nenhuma, projectos que implementados servem a meia dúzia, e folhetins políticos menos credíveis do que a escrava Isaura!
Afinal, eu só queria sustentar com o meu trabalho uma vidinha "remediada", dispenso até o restaurante, as férias por dentro ou fora, as roupas e os cabeleireiros, os perfumes e as extravagâncias, a cultura dos livros, do cinema e do teatro, como alface deixo a rúcula, a sardinha e o carapau, levem-me as lulas e os linguados... mas não há gaija que aguente um frigorífico vazio, adiar a compra de material para a escola, deixar de ir ao médico ou dentista, tudo isto em cima de um pólo aos soluços rolando sobre uns pneus carecas , encolhido e assustado porque vai, concerteza, chumbar no exame... já não é por mim é por ele, coitado vai esbarrar numa lista de incapacidades... e eu a ver...
... e depois não querem que haja depressões???...era bom, era... mas se já nos falta o ar nos pulmões há muito... estamos em apneia prolongada, forçada, imposta, o cinto está no último furo, mas folgado pois, miraculosamente, nós vamos encolhendo dentro dele...
Tudo isto era porquê.???.. ah já me vou lembrando... é aquilo do 25 de coiso, era mesmo só para vos lembrar... é que pensei nisso, ainda agora... pensem também , se vos der na bolha, se vos aprouver, aproveitem, é já amanhã, o tal de 25 de Abril...
Uma pena... parece que só serviu para deixarmos de apreciar os cravos vermelhos como merecem, cheiram tão bem, são belíssimos, sem pompa, sem peneiras, uma flor que coitada, a bem dizer nem teve ou tem culpa de nada disto!
Caiu em desuso, em descrédito... nunca mais ninguém a olhou só por aquilo que é... um flor vermelha tão bonita e cheirosa! ... e não foi tida nem achada... ele há grandes maldades... é que não lhe perdoam...já lá vão tantos anos, décadas mesmo ... e do 25 de Abril já todos se esqueceram... agora a fama dos cravos vermelhos é que ficou... acho que foi mesmo só isso que ficou...

quarta-feira, abril 22

Deixem-me zunir neste prado verde

Tenho assim uma sensação de limbo à minha volta...
os blogues que visito estão como que parados... eu mesma suspendi a vontade de aqui me demorar, venho só para confirmar que nem ventos nem marés, sem sustos ou sobressaltos, como se o migalhas fosse um momento de uma tarde quente, à sombra fresca de uma frondosa e acolhedora árvore, o sussurro quase inaudível de mornos pensamentos, voláteis, inconsistentes, que me passam pela mente desacordada, sem deixarem pegada ... e eu entregue ao prazer de uma sesta merecida!!!
Fiquem bem até uma próxima
Espero despertar deste entorpecimento ao som duma flor a desabrochar ... ou do cantar de uma atarefada abelha na azáfama do mel!

o que me faz feliz

o que me faz feliz
o meu mundo ao contrário

O meu Farol

O meu Farol

A bela foto

A bela foto
o descanço dos meus olhos

A minha cama na relva

A minha cama na relva

O meu Algarve

O meu Algarve

...enquanto uns trabalham...

...enquanto uns trabalham...