quinta-feira, outubro 22

viajantes

Acordamos a cada dia, com planos preconcebidos de ir aqui e acolá, tratar deste ou daquele assunto, trabalhar, ficar em casa, enfim... certezas que não o deviam ser... cada dia, cada momento é uma aventura, uma viagem sem regresso, caminhos a desbravar, sem retorno, mudando e renovando-se a cada passo.
Para essa viagem cada um de nós transporta o que lhe parece indispensável, essencial, o que lhe é mais querido ou mais estruturante para usar como bússola, como referência!
Cruzo-me com viajantes que agarram o passado, num forte abraço, lembrando outros momentos, outras pessoas, experiências idênticas, recordações reconfortantes, traumas e mágoas de estimação, seja o que fôr... desde que seja passado... e esteja presente... "no meu tempo é que era bom..." esta frase espreita e ensombra o efeito surpresa, a novidade que se pode extrair de cada viagem... por outro lado também é ajuizado saber usar hoje o conhecimento de ontem!
Com outros surpreendo-me da tendência que os leva a, num voo "cego"de quem parece não querer estar "presente", sobrevoarem a paisagem e, num golpe de asas, transportarem-se para outro "continente"... o do futuro, aquele que lhes parece mais promissor, mais carregado de verdadeira adrenalina, ... "ai quando eu for grande...", "nas férias é que vai ser...", "quando eu acabar o meu curso...", "depois do bébé nascer...", assim lhes parece, talvez, serem as asas mais fortes, resistentes, os voos mais altos, mais seguros!
... e penso... como funciona o meu roteiro?... e o meu plano de viagens? Que levo eu comigo quando parto em direcção ao "desconhecido"?
Pertenço a um outro grupo de viajantes que seguem viagem noutra "excursão"... e levo outras escolhas na bagagem.
Passo a explicar.... parto sempre de dentro de mim para onde quer que me dirija... o passado e o futuro ocupam pequenos espaços... não considero pior ou melhor este género de viajante. Até porque não existe conotação positiva ou negativa nestes considerandos. O eu e o mim são o meu passaporte para entrar noutros mundos, funcionam como um filtro que me possibilita traduzir para a minha realidade cromática outras "vistas" que me são oferecidas!
No entanto, todos nós gostamos, ou seria bom e natural que gostássemos, de viajar, pois essa é mesmo a nossa condição… a de viajantes! Todos trazemos, na hora de partir, futuro, presente e passado… todos trazemos muito de nós…
Seria bom, e é recomendável, levar um pouco de tudo o que nos pode vir a fazer falta!
… e, em determinados momentos, reconhecer que nos dava mais jeito ser nossa, a bagagem dos viajantes com quem nos cruzamos… e a cada dia, antes da partida, fazer um check up list , adaptando os preparativos e as bagagens, de forma inteligente e dedicada, fazendo os ajustes necessários para que tenhamos à mão os “mapas e bússolas” que nos vão acudir às dúvidas e aflições, hesitações, entusiasmos e fraquezas… a tudo… em tudo!

sexta-feira, outubro 16

xico ração

A manifestação de afecto mais completa a que já me entreguei foi, decididamente , o abraço
Há-os pequeninos e tímidos, quase de fugida em que pouco fica manifesto
Os protectores, quando um par de braços envolve na sua intenção e nas suas "asas" um par de braços que cresce com a troca
o abraço profundo e intenso, aquele que separa duas criaturas que foram uma só
o outro, o ABRAÇO, aquele que nos devolve, ao cabo de 9 meses, o fruto então concebido
e mais... o abraço sentido, que passa a emoção, a solidariedade, a irmandade de quem partilha, de bom e de mau, o que há a partilhar, começando nos nascimentos e acabando na morte
Nas minhas preferências vou dizer desde já que um xicoração é todo, TODO, bom... dá-se e recebe-se sem cerimónias nem timidezes, a uma criança, a um amigo, manda-se por mail ou msn, fica giro em letras, faz um conjunto gráfico que me é simpático, e enche a boca XXIICOOOraçÃAOOOuuu
... entendo-o desde que me entendo, é velho amigo, já dei e recebi paletes de xicorações e ainda não me cansei!!!
... e isto tudo para quê???
só mesmo para distribuir por aí à brava e à bruta xicorações
... há momentos na vida em que se selam, guerras e discussões, ou acalmam dúvidas, e saciam saudades, e tanto mais se faz com um terno xicoração!
usem e abusem, faz bem a quem dá e a quem recebe, saiem todos a ganhar e melhores pessoas!
digo eu

encontro

olhar, tocar, sentir,
olhar... mergulhar... afundar...
... desaguar...
suspirar, sorrir
olharrr
ficarrrrr

simplesmente, simples

quinta-feira, outubro 15

FACTOS E ACTOS

Quando já se alimentaram todas as ilusões e se aguentaram muitas desilusões,
quando se ambicionou mais do que se alcançou e isso não nos fez sentir mais pobres,
quando se pediu à vida mais do que nos era devido, e se aceitou o muito e o pouco que nos coube
quando se voou bem alto e se sobreviveu à queda,
quando se esperou tudo dos outros e se soube, por fim, dar generosamente sem nada pedir em troca
quando se conseguiu fazer festas sem champagne... nem convidados... só porque estar vivo é bom
quando se viu nos filhos, nossos e dos outros, o melhor panorama que deles se pode oferecer
quando se soube calar palavras e queixas, trocar guerras por paz , acalmar medos, atenuar diferenças... e, e, e, ...outro tanto
quando se conseguiram encurtar as distâncias e oferecer e aceitar ombros amigos
quando se encontrou a palavra certa que completou um puzzle
quando se disse com o olhar o que nos roubou a fala
quando se cantou em silêncio
se chorou de alegria
se sonhou acordado
se parou para pensar
se deixou de pedir
quando se aprendeu a receber, sem ficar em dívida
........................................................................................................................................
quando tudo isto e muito mais... então podemos no mínimo dizer que já cá andamos há uns anitos... e temos o dever, perante nós próprios, de ter aprendido algumas das lições de vida que se nos oferecem!
... e quando os "quandos", os "ses" e tudo o mais que nos pára ou empurra se desenrola à nossa volta, e não está ao meu alcance ser mais do que mera espectadora, exercito então a MÁGICA e ELÁSTICA capacidade de ACEITAR!
Entre factos e actos vamos obrando passo a passo, por vezes aceitando outras agindo
... e cá se vai indo...

quarta-feira, outubro 7

... coisas, que se pensam

Os anos passam, a vida ensina, castiga, recompensa, surpreende…
Com o decorrer dos anos acumulamos conhecimentos, saberes, e, espera-se que qualidades também!
Todavia, quanto mais crescemos interiormente maior é a noção de quão pequenos e ignorantes somos…
Se em termos cósmicos não chegamos a uma migalha, nem por isso devemos desistir de ser verdadeiramente importantes na nossa vida, através dos afectos e laços que estabelecemos!
Nessa missão de tão bem querer e tanto cuidar, percorremos caminhos de generosidade e entrega em que o pequeno se faz grande!
É tão gratificante sentirmos o retorno do amor que sentimos pelos filhos, irmãos e amigos, nas intenções, atenções e mimos que nos dedicam! Somos especiais e únicos nas suas vidas! E eles são os nossos maiores tesouros!
É tão carregado de enorme ternura o sentimento que cresce dentro de nós face à dedicação que nos têm os animais que connosco privam de perto! Com que doçura nos olha o nosso cão, num silêncio respeitador, sempre que suspeita que não estamos bem… e com que alegria eufórica nos recebe quando chegamos felizes a casa… parecendo sempre disposto a partilhar… o nosso mal ou/e o nosso bem… e sempre aquele olhar perscrutador e dócil, pronto para se entregar a um rápido afago ou a um sempre desejado momento de brincadeira… incondicional, inteiro!
Por outro ponto de vista , afinal que diferença faz mais ou menos um ser, no meio de tantos”mi” e “bi” e triliões???
Mais ou menos um dia de vida, na vida de alguém…. perante a imensidão dos tempos… que vale??? … Zero???…
Á escala planetária não temos peso e quase que nem existência… mas à escala dos afectos somos gigantes, únicos, insubstituíveis!
Somos o sol e os satélites na existência uns de os outros!
A cada dia, cada momento conta, único e irrepetível!
Um sorriso, uma ternura, uma palavra amiga… são esses os melhores presentes que podemos de alguém receber!
É à luz dos afectos que transbordamos de emoção, de amor, de luz!
São estas as referências que fazem os nossos dias pulsar, pular, avançar!
É essa a bitola que nos resgata ao anonimato, é a sintonia que nos pauta o caminho, a ajuda nas decisões, nas lutas, o apoio nas quedas… levantando-nos o ânimo sempre que numa ilha mergulhamos a nossa solitária identidade!
A verdadeira mola, o sentido mais profundo, a lupa que altera definitivamente a nossa pequenez!
Quando a “moeda de troca” é amor, então parece que o tempo nada levou,, e, assim, num olhar , num toque ou nas palavras tão rapidamente se reencontra quem nos é querido, como se o tempo não tivesse passado e a distância nunca tivesse existido!
A linguagem do amor sobrevive ao tempo e à distância!
No silêncio da saudade podemos ainda, por pensamentos, palavras não ditas, por recordações e memórias, manter bem vivo dentro de nós um altar para os que amamos e amaremos para lá do tempo, da distância!
A verdadeira mola, o sentido mais profundo, a lupa que altera definitivamente a nossa pequenez!
Como é grande, imensa e protectora para uma criança a sua mãe! Capaz de destruir monstros, ganhar batalhas, forte como um touro, resistente como o aço!
Como é protectora a sua presença “frágil”… à luz dos afectos aquela mulher, por amor, enfrentará os maiores desafios e fará de si uma heroína, se isso lhe for exigido pelas circunstâncias!
Sabemos que, assim como chegamos um dia partiremos sós.
Daqui, como bagagem, só os afectos e memórias levamos connosco.
Para lá do que conhecemos contamos que um criador omnipresente e omnipotente nos acolha na sua imensidão, nos una aos que já partiram antes!
Seja qual for a viagem que nos afasta dos que amamos sabemos que, dentro deles, temos um espaço só nosso, onde se arrumam todas as memórias, o arquivo de tudo o que nos demos!
Quando a “moeda de troca” é amor, então parece que o tempo nada levou,, e, assim, num olhar , num toque ou nas palavras tão rapidamente se reencontra quem nos é querido, como se o tempo não tivesse passado e a distância nunca tivesse existido!
A linguagem do amor sobrevive ao tempo e à distância!
No silêncio da saudade podemos ainda, por pensamentos, palavras não ditas, por recordações e memórias, manter bem vivo dentro de nós um altar para os que amamos e amaremos para lá do tempo, da distância!
Na presença dos que amamos, muito pode ficar por dizer, mas os laços que a eles nos unem saiem sempre reforçados, porque o amor se pronuncia e evidencia para lá das palavras ditas… o amor tem a sua linguagem própria e em gestos e olhares, até apenas pela presença do ser amado, fica todo o espaço pleno desse sentimento grande e vital, que nos dá energia, e pelo qual todos os dias sou grata!

quinta-feira, setembro 24

Há sempre uma primeira vez

Pois é... eu que cozinho à farta, e com gozo, aqui deixo a minha primeira receita

SOPA DE LENTILHAS COR DE LARANJA

Enquanto prepara os vários legumes deixe as lentilhas, previamente lavadas, de molho em água (a utilizar depois na confecção da sopa)

+ ou - 2 chávenas de lentilhas laranjas
1 nabo
2 batatas doces médias
1 batata redonda média
2 cebolas
2 dentes de alho
uma boa talhada de abóbora menina (não havendo vai frade)

Opcional
1 tomate
hortelã

Procede-se como habitualmente... panela de pressão, tudo junto, cerca de 30 minutos, antes de pôr a varinha mágica adicionar o azeite!
Pode fritar cubinhos de pão na hora e servir com uma folhinha de hortelã
... é minha e é boa!

sexta-feira, setembro 4

O prazer da leitura

É um dos grandes gozos que desta vida me ofereço, o prazer da leitura
De uns livros gosto mais, de outros menos
como toda a gente
uns por me envolverem num argumento sumarento, outros pela sua originalidade, também me rendo incondicionalmente à qualidade literária; um talento personalizado e superior para usar as palavras vestindo na perfeição a ideia trabalhada... e apurada... até que o outro, o leitor, a devore... ou com ela se delicie!
Pelos mais variados motivos faço de um livro o meu companheiro até ao voltar da sua última folha... até que o tenha consumido fisicamente da primeira à última página e possa então alimentar-me verdadeiramente de cada letra, palavra, ideia... todos os capítulos a circularem-me alinhados ou em confusão por mim a fora... e dentro!
Mas o livro que amamos enquanto o lemos, aquele que nos tilinta por dentro ao longo das horas que não passam, marcando-nos um encontro muito íntimo, irresistível, aguardando com impaciência o regresso a casa... esses não são tantos assim...
Estou aqui a teclar pensando nele, no tal apelo que me leva a sentir que tenho à minha espera um prazer, um gozo, um momento de silêncio e encontro como só na leitura se consegue.
Assim que lhe conheci o nome fique imediatamente com os sentidos alerta... pareceu-me que chamava desde logo a minha atenção:
" A Solidão dos Números Primos"
Tudo no livro vale a pena, tudo é único, jovem e rejuvenescido, original, muito muito ternurento e emotivo, maduro e profundo, leve mas muito consistente, tanto que até pode parecer pesado, inteligente, arrebatador e comovente, único!
Quando comecei a sentir o desejo de transcrever uma e outra frase, uma conclusão, ou constatação, página após página, percebi que me devia deixar levar, como um menu de degustação, uma viagem ao passado, presente e futuro dos nossos sentimentos e afectos, da igualdade da diferença e da diferença da igualdade, tão mas tão bem conseguido que tenho de parar de tempos em tempos, respirar fundo, sorrir e deleitar-me com tão fantástica partilha!
Bom, já deu para perceber, é que estou mesmo a gostar do livro!
... dá para meninos e meninas.... jovens médios e entradotes... todos... penso eu...
... ah e se querem saber autor e sua biografia, editora e coisa e tal, isso não é aqui.
Aqui é mesmo só para dizer um bolas, BOLAS... não deixem de ler... é um EXCELENTE livro!

terça-feira, agosto 4

Encanto

Estar encantada!
Um encanto de pessoa;
Acordar e adormecer encantada...
O estado do "encantado",
o acto de "encantar",
o momento encantado,
uma companhia encantadora
talvez me pareça o mais "caro" do que se possa pedir... ou sentir... esta atitude perante a vida, os outros, tudo em nosso redor, esse estado de suspensão entre o deslumbre e a desilusão, e a arte de o fazer perdurar, saboreando a simplicidade, aceitando a oferta
estar encantada é ser sempre, ou ainda, agradavelmente surpreendida
estar encantada é acreditar em coisas boas, ou saber descobri-las
estar encantada é ser ainda criança,
é viver cada momento, festejando o presente
vivo e sumarento, colorido e harmonioso,
sem medo do que depois dele virá
sem cobranças ao passado
estar encantado seria mais do que esperado
perante tanta beleza que se nos oferece,
diante do milagre da vida,
e da consciência que nos revela o quanto pequenos e insignificantes somos numa imensidão sem fim
O encantamento de sermos organismos tão quase perfeitos e completos, neste caos organizado
o encantamento de sabermos que, do primeiro dia ao último podemos crescer sem parar, caminhar sem desistir, sempre, e dentro de nós acarinhar essa alma sem idade que persiste em olhar com ternura e expectativa este desenrolar de paisagens interiores que nos encanta os dias, uns mais desencantados do que os outros... mas sempre a construir... um encanto de vida!

terça-feira, julho 28

Esperar é uma canseira
Esperar muito é Zen
... de tanto esperar adormece a inquietação que, quando é constante e continua, acaba por se esgotar
no lugar da ansiedade começa então a instalar-se uma pacífica indiferença onde o "estou por tudo" ou "venha o que vier" quase roçam o "que se lixe"
Estou há cerca de 2 meses a aguardar um pedido de reclassificação que tarda em chegar
Depois de voltas e reviravoltas infrutíferas, atirei-me em papel A4, numa escrita explicativa, concisa e emotiva, à capital... mais exactamente ao gabinete do Valter Lemos de onde veio pronta resposta! Pedia ele, (ou alguém por ele) à Direcção Regional do Sul que o meu processo fosse revisto com "URGÊNCIA"... imagine-se se não fosse esse o carácter com que carimbou o meu "caso"...
Como sou obsessiva tento não me lembrar com irritação desta espera que me desespera durante as 24 horas do dia... lá vou conseguindo...
sinto-me assim numa espécie de limbo onde não sei se me preparo para descer aos infernos ou me encho de ar para subir aos céus... tudo dentro das suas relativas proporções e relatividade, óbvio...

terça-feira, junho 9

Bons feriados para todos

Tantos os sentimentos...
tantas as palavras
tamanhas as emoções

para mostrar apenas o silêncio

no fundo as angústias embrulhadas nas incertezas
os desejos camuflados, com andrajos de frustações
o silêncio do grito mudo,
sufocado num labirinto de solidão
as ilusões sob os escombros das desilusões,

e dentro sempre a crescer
imparável
um ser de certezas
que incomoda
um mundo de humilde sabedoria
que não se pode esconder, nem calar
o bem estar que se sente
e que sem se querer agride

por alguns aplaudido
o caminho vai-se fazendo

no cume das nossas pequenas montanhas
podemos ver o afastamento de quem se sente ameaçado
crescendo no sentido inverso...
... maior a distância que nos separa ,
mais pequeno o espaço que ocupa
ali, na nossa solidão, já só o nosso olhar pede conforto
procurando ansioso o outro que cego só olha para dentro

... e por dentro o crescimento não pára
sempre, sempre
como um balão que sobe, sobe no ar
até se perder do olhar
de quem só por ver crescer se sente abandonado, traído
e por isso se revolta e por isso magoa
... e por isso lança o balão de novo para longe,
para o alto,
para lá onde ninguém o alcança,


...nem mesmo aquele que o lançou

o que me faz feliz

o que me faz feliz
o meu mundo ao contrário

O meu Farol

O meu Farol

A bela foto

A bela foto
o descanço dos meus olhos

A minha cama na relva

A minha cama na relva

O meu Algarve

O meu Algarve

...enquanto uns trabalham...

...enquanto uns trabalham...