Os meus nãos, bem espremidinhos, não valem grande coisa!
Quem me conhece bem não resiste à tentação de insistir, por vezes nem muito, acabo por deixar cair, e pergunto-me repetidamente: Porquê???
Vou construindo as minhas teorias sobre esta "moleza" de atitude; não condiz com muitos dos traços do meu carácter e da minha, por vezes, "intransigência"!
EU NÃO CONSIGO LIMITAR A LIBERDADE DO MEU SEMELHANTE QUANDO ELE A DEFENDE COM ARGUMENTOS OU TEIMOSIA!
Enquanto eles se defendem, estrebucham e bracejam eu vou considerando: "-Mas porque não? Será assim tão importante o que estou a exigir? Terá mesmo, inadiavelmente, de ser agora??? Coitado,... ele quer tanto? Olha lá como se bate por isto! A vidinha são dois dias para quê tanta rectidão? Deixá-lo!
Enquanto isto se passa, o jogo psicológico está instalado... o "adversário" acaba por perceber:
" - Olha lá para o não dela... está a ficar tão fraquinho..."
E aí vai disto: "- Vá lá... deixe lá... só hoje... só um bocadinho... eu prometo... nunca mais... juro que depois...
E eu a ver... e a pensar... a vida são dois dias, a importância é tão, mas tão relativa, afinal a própria vida é quem mais ensina, a força desta minha imposição é migalha sem causa... e lá vai o meu não encolhendo, encolhendo, perdendo expressão, o olhar já distraído, a voz embrulhada nos pensamentos que me diluem as certezas vai-se diluindo, diluindo até ao silêncio pontuado com um desconcertante encolher de ombros... deixo cair, de repente aquele não pufff... evapora-se no ar com se não tivesse chegado a existir. O meu interlocutor até hesita olha à volta espera uma reacção... mas eu já nem estou lá. É assim mais ou menos a fórmula de uma má educadora, pelo menos em parte!
Mergulhada nas minhas incertezas sobre liberdades e restrições, impotente perante a inconsistência dos meus nãos, lá me vou a pensar que o melhor era nem ter começado o braço de ferro! Tá feito, nada a fazer nem lamentar vale a pena.
Por outro lado, e por oposição, defendo as minhas infimas liberdades com unhas, com dentes, com garras! Os meus nãos, quando se trata dos meus movimentos, ideias, opções, trazem uns muros mais altos do que eu, que limitam o acesso e deixam à distância de um não gritado qualquer incauto que me queira demover!
Pelo menos por princípio digo sempre que não a tudo, ou quase tudo, para ganhar tempo... depois enquanto o outro se recompõe eu reconsidero, avalio e adequo... por isso, quem me conhece já sabe... muitos poucos dos meus nãos são nãos... alguns são espera lá, outros assim assim outros nem por isso, ou talvez... porque os outros, os não a valer, são uma infima percentagem, e às vezes nem chegam a palavra... são um desapercebido e teimoso silêncio!
Somos muito complicados, nós, os terráqueos... e as terráqueas ainda mais, ao que dizem... e eu concordo!
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