terça-feira, maio 27

Amigos improváveis

O maior deles todos é mesmo grande... de uma grandeza generalizada, que faz dos outros, os pequenos, pequenas amostras da espécie... todo negro, com porte de gigante e comportamentos simpáticos e brincalhões, distraído da sua aparência assustadora, que mantém os estranhos à distância, cautelosos, cozidos à parede, só com a insistência das nossas palavras de confiança, esquecem aquele primeiro susto e, reconhecem então a sua aproximação carregada de simpatia e afabilidade !


Este portento tem dois apêndices, pequenos e fieis, que o adoram e que ele adora... não fossem os três companheiros de uma infância de aventuras e liberdade, à solta nos campos, dentro e fora da quinta, pois, embora o espaço seja grande, não resistem à descoberta do que está para lá dos muros, o outro mundo, com outros perigos, companheiros,... e outro tanto que só eles conhecem!


O gigante e os seus amigos, são um prazer para quem os vê; todos nos deliciamos, todos reconhecemos o lado improvável daqueles laços de amizade... mal sabem eles o quanto diferente nos parecem, ao nosso olhar criterioso, aquelas disparatadas desproporções.
Pandinha, todo sensível e peludinho, malhado de branco sobre um pêlo preto e sedoso, muito infantil, tem sentido nos últimos dias, no pêlo, a segregação e os maus tratos da parte do seu rabugento irmão... Formigo, descobriu o seu perfil de reguila, depois de lhe ter passado a roda de um automóvel por cima, em manifestação pós-traumática, digo eu , sarapintou o pêlo, também negro, de um branco aqui e outro ali, que lhe dão um arzinho de maduro e, daí em diante, partiu para outras tendências... fez-se refilão, e mesmo muito pouco cordial para com o irmão... dá-lhe para o ciúme e a possessividade e quer o Zappa todo só para ele! Será que não vê a enormidade do fiel amigo, a generosidade e paciência com que aceita a dupla? Não achará ele que é muito cão para um só minorca?... não entenderá que a partilha gera mais e mais brincadeira? Assim parece!!!
É que a história está ainda incompleta, falta outro improvável elemento... uma cadelinha, com cerca de 5 anos, muito ciosa de si e do seu espaço, com feitio de poucos amigos, recebe as visitas refilando até que a mandemos calar, pois para ela todos os que não são de dentro são de fora... ou seja, ou vivem no Monte, ou para ela são intrusos, por mais que nos visitem, por mais que apareçam... feitios...
A aparência da menina é a de uma esfregonazinha velha, pequenina, contraria esta descrição com uns arranques de boa disposição quando dá corridas furiosas de um lado para o outro, empurrada por uma qualquer energia, feita de saudade curada na alegria de nos rever quando voltamos da rua, mas logo se aquieta voltando à sua habitual postura de solitária e sonhadora rapariga casadoira, a quem só aparecem noivos, mais uma vez, improváveis.
O seu nome, improvável também: Xakira!
É aqui que bate o ponto... ou seja a "nódoa", o motivo destes novos atritos, tem um enquadramento e na moldura do Formigo está estacionada a Xaquirinha, bela, cheirosa e sedutora coberta do seu manto de pêlo de esfregona usada, com feias marcas de olheiras feitas de despenteado pêlo acastanhado sobre um fundo branco sujo, muito sujo, malha aqui, malha acoli, tudo muito desordenado e irregular... a minha Xaquirinha é mesmo feiosa... mas ela não sabe... e não sou eu que lho vou dizer!
E lá andam todos, no seu grande espaço, despreocupados e bem cuidados pelo dono e mimados pela dona, empurrados por impulsos e instintos vão gozando os dias na descontracção que Deus lhes deu. Não me sinto DONA de coisa nenhuma mas nisto dos cães é assim que me vejo, pois eu sou tanto dona deles como eles donos do meu amor e ternura por eles, cada um na sua vidinha cada um no seu espaço!
O Zappa, grande em tamanho e simpatia, ai de nós quando lhe cheirar a namoros, acaba-se de vez com as amizades improváveis... o Pandinha, encolhido e surpreso com a nova agressividade do irmão, até há data tão igual, tão irmão, o Formigo menos irmão e mais macho, mais fera mais instinto, apesar do seu diminuto porte, sempre vai mostrando os caninos afiados a alguém... o inconformado sangue do mesmo sangue... e finalmente a donzela, a Xaquirita, entre o indiferente e o pomposo, de juventude duvidosa, sempre vai aproveitando os admiradores, alguma cor e animação hão-de trazer à sua pacata existência...
E nós, os racionais cá nos vamos divertindo com estas nuances do relacionamento canino, tão mais legítimo e compreensível do que, bom enfim... era do fiel amigo dos homens que tratava a minha vontade de escrever... não tencionava bater em ninguém a esta hora.

quinta-feira, maio 15

não, Não, NÃO

Os meus nãos, bem espremidinhos, não valem grande coisa!
Quem me conhece bem não resiste à tentação de insistir, por vezes nem muito, acabo por deixar cair, e pergunto-me repetidamente: Porquê???
Vou construindo as minhas teorias sobre esta "moleza" de atitude; não condiz com muitos dos traços do meu carácter e da minha, por vezes, "intransigência"!
EU NÃO CONSIGO LIMITAR A LIBERDADE DO MEU SEMELHANTE QUANDO ELE A DEFENDE COM ARGUMENTOS OU TEIMOSIA!
Enquanto eles se defendem, estrebucham e bracejam eu vou considerando: "-Mas porque não? Será assim tão importante o que estou a exigir? Terá mesmo, inadiavelmente, de ser agora??? Coitado,... ele quer tanto? Olha lá como se bate por isto! A vidinha são dois dias para quê tanta rectidão? Deixá-lo!
Enquanto isto se passa, o jogo psicológico está instalado... o "adversário" acaba por perceber:
" - Olha lá para o não dela... está a ficar tão fraquinho..."
E aí vai disto: "- Vá lá... deixe lá... só hoje... só um bocadinho... eu prometo... nunca mais... juro que depois...
E eu a ver... e a pensar... a vida são dois dias, a importância é tão, mas tão relativa, afinal a própria vida é quem mais ensina, a força desta minha imposição é migalha sem causa... e lá vai o meu não encolhendo, encolhendo, perdendo expressão, o olhar já distraído, a voz embrulhada nos pensamentos que me diluem as certezas vai-se diluindo, diluindo até ao silêncio pontuado com um desconcertante encolher de ombros... deixo cair, de repente aquele não pufff... evapora-se no ar com se não tivesse chegado a existir. O meu interlocutor até hesita olha à volta espera uma reacção... mas eu já nem estou lá. É assim mais ou menos a fórmula de uma má educadora, pelo menos em parte!
Mergulhada nas minhas incertezas sobre liberdades e restrições, impotente perante a inconsistência dos meus nãos, lá me vou a pensar que o melhor era nem ter começado o braço de ferro! Tá feito, nada a fazer nem lamentar vale a pena.
Por outro lado, e por oposição, defendo as minhas infimas liberdades com unhas, com dentes, com garras! Os meus nãos, quando se trata dos meus movimentos, ideias, opções, trazem uns muros mais altos do que eu, que limitam o acesso e deixam à distância de um não gritado qualquer incauto que me queira demover!
Pelo menos por princípio digo sempre que não a tudo, ou quase tudo, para ganhar tempo... depois enquanto o outro se recompõe eu reconsidero, avalio e adequo... por isso, quem me conhece já sabe... muitos poucos dos meus nãos são nãos... alguns são espera lá, outros assim assim outros nem por isso, ou talvez... porque os outros, os não a valer, são uma infima percentagem, e às vezes nem chegam a palavra... são um desapercebido e teimoso silêncio!
Somos muito complicados, nós, os terráqueos... e as terráqueas ainda mais, ao que dizem... e eu concordo!
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segunda-feira, maio 12

Jorge Palma e o seu merecido globo

Foi com imenso prazer que vi finalmente reconhecido o indiscutível talento do Jorge Palma ser brindado com um globo de ouro.


Há já muito que o Jorge conquistou o Globo e lhe deu as voltas que bem entendeu, para o bem e para o mal, sempre intensamente, brotando músicas que nos ficam entranhadas no ritmo e nas palavras.
Com a mesma naturalidade com que viveu o anonimato, agora chegou aos topes e é cantado por todos, como se ainda agora tivesse aqui desembarcado...
"Tudo Bem", ele já nos encanta há décadas, chegou-lhe a vez de desaguar agora no estrelato... reconhecido o mérito, subiu o seu nome ao ouro e lá se tem mantido.


É certo que ele gosta do carinho e entusiasmo dos fãs, sobretudo delas, que vão dos 18 aos 80... deve ser bom encostar o corpo cansado de tantas aventuras ao encosto da fama, mas não é disso que ele se alimenta... é homem doutras andanças, anima-se com outras realidades, são outras as verdades de que se veste... não as lanteloulas e o glamour dos globos, que ontem se dizia com tanto entusiasmo, quase se colarem aos outros, os americanos... mas pronto essa vontade de parecer, parece mais urgente do que a vontade de ser e essa não me parece ser a pauta onde o Jorge desenrola a sua vida!


Assim, foi com entusiasmo que o vi subir ao palco, tão chique, na sua fuga ao inevitável formalismno do traje de cerimónia, tão igual a ele próprio, com tudo o que isso tem de bom e, esperava eu, cheia de curiosidade, que um discurso informal, mas sentido, desse cor à sua contida emoção... precisava de tempo, de espaço...
Foi aí que o mau gosto, tantas vezes manifestado pelo Herman, se impôs e foi ele que tão alarvemente lhe arrancou o momento de discreto protagonismo para o qual nos estavamos todos a preparar.
Para mal dos nossos pecados o "humorista" ousou coreografar e protagonizar um momento que não lhe pertencia... excesso de confiança, incontinente desejo de se expôr, mesmo quando o bom gosto e senso de razoabilidade exigiam a secundarização do seu papel sobre aquele palco.
O Jorge só tinha duas opções... ou era desagradável para com ele, o que para uma pessoa com nível e educação era impensável, ou deixava-se levar, sem reagir nem fazer sua, aquela desnecessária palhaçada... foi o que ele fez...
Pena Seu Herman... é que eu estava mesmo com curiosidade e entusiasmo pelo momento. Gostava imenso de ter ouvido, com que palavras o Jorge nos ia desvelar o que lhe ia dentro... ilegitimamente você roubou-nos essa oportunidade única!
Às vezes, aprender e saber o silêncio, é mesmo o melhor caminho.
Bom... já lá vai... fica esta ligeira sensação de que me tiraram qualquer coisa que me era devida, a mim e aos que acreditam, há já muito tempo, que o Palma é mesmo especial, do melhor, genuíno... e BOM... não de agora, mas de há já muito tempo.
Finalmente, ver-lhe reconhecido o mérito é o que verdadeiramente importa... tudo o resto são migalhas!!!

terça-feira, abril 29

A Saltimbanca

Também muito longe, nos arquivos da memória mais longinqua, no sotão mais bem guardado que é o arquivo da nossa infância, nesse recôndito tesouro, guardo uma mãe diferente de tantas outras que fui conhecendo nas minhas histórias...
Esta mãe concorria com a minha, ficava-lhe atrás apenas por um rebento mais: era berço de nove filhos e visitava a nossa casa nas épocas mais festivas: Natal, Páscoa, férias e noutras, só porque lhe dava na gana.
Parecia sentir-se em casa, uma casa recheada de filhos que não eram os seus, mas a quem esticava os braços para um colo, ou um carinho, que lhe sobejava ainda dos muitos que distribuia pelos seus.
O passado desta fértil mulher era igualmente fértil em lembranças, que lhe afloravam entrelaçadas num fio sem lógica que nós entendessemos , nas conversas que se desenrolavam de carreirinha, porque muita vida a esperava lá fora.
Chamávamos-lhe a SALTIMBANCA.
Antes de juntar trapinhos com o homem que lhe deu a prole, vivera num circo, filha de mãe trapezista, familiarizada com a existência nómada, parecia que também os seus pensamentos, ideias e conversas não assentavam arreiais! Saltava de uma às outras com a mesma graça com que teria a sua mãe, "trapezista de se lhe tirar o chapéu", segundo as suas palavras, saltado e voado de circo em circo, pela sua vida fora.
A saltimbanca vivia numa barraquinha, e passava grandes dificuldades, mas isso nunca pareceu motivo de tristeza... para ela, tudo era uma festa, a vida uma alegria... assim parecia que outro modo não tinha de encarar os dias.
Vinha pela roupa, também nós eramos muitos, havia sempre qualquer saquinho preparado para partilhar, alguma merceeiria ´sempre útil, mas vinha, sobretudo, pela conversa... não tinha maldade, nem inveja, nunca se sentiu diminuida perante o desafogo com que viviamos, encarava com a maior naturalidade o "abismo" que separava as duas famílias, aliás tudo encarava com naturalidade... até na morte ela vivia as suas alegrias... da mãezinha no caixão, a famosa trapezista, só se recordava de tão linda que ela estava, no seu mais lindo vestido de lantejoulas amarelas... nada de dor, nada de saudade, o orgulho, o prazer de reconhecer que até na morte encontrara a sua beleza... disto me lembrou a minha mãe, eu era ainda muito jovem na época.
Ao pai dos filhos, homem de alta estatura, sêco e com o olhar sombrio, como se tivesse ele de carregar sobre os ombros o peso da tristeza e das preocupações de ambos, arranjou-se-lhe mais tarde trabalho, pois o que tinha estava a matá-lo todos os dias... na fundição de Oeiras lá ía consumindo, os pulmões e o resto, mais do que podia... assim a vida melhorou um pouco... mas não foi isso que trouxe alegria à nossa Saltimbanca... ainda hoje me pergunto de onde lhe vinha tamanha vivacidade... tão redundante alegria que a todos nós contagiava... com se da vida não tivesse recebido mais do que aquilo que alguma vez houvesse pedido...
Talvez o segredo da Saltimbanca fosse nada pedir... tudo aceitar e em tudo ver vida, em tudo existir, numa aventura sem rede num trapézio voador com destino ao céu

quarta-feira, abril 23

Suor e purpurina

Num dia lá longe... na lonjura da minha infância... guardo um circo enorme repleto de uma multidão de gente escondida pela escuridão que só a arena ilumina; um cheiro que não me é familiar preenche o espaço de medos e distâncias... senão fosse a agitação própria das crianças e dos adultos no frufru de encontrarem o seu lugar, eu diria que qualquer evento assustador estava iminente... o cheiro dos animais enclausurados, das naftalinas entranhadas nos velhos e, pretensamente imponentes, veludos e acetinados tecidos, corroidos pelo tempo e pelo uso... e, a arena... a arena coberta de uma areia irreal, porque nunca sentira o calor do sol, a areia onde os animais da selva se entristecem no decorrer dos seus anos de cativeiro, eles que nunca fora à praia e lembram outros lugares frondosos que jamais visitaram e jamais visitarão, mas que lhes pertence por herança e está-lhes no sangue, e na saudade!
É nessa areia triste, onde cada um vem carpir o seu momento de glória, que tudo se passa.
O meu momento foi de trapezistas, homens e mulheres de idade incerta, corajosos pássaros voadores que entre suores e purpurinas se atiram aos braços uns dos outros, como se FALHAR não existisse... e nós de susto no olhar, ali ,na plateia, de respiração suspensa, o coração a saltar a cada salto, e o baloiço para trás e para a frente, as mãos abertas na certeza do agarrar as outras, que vêm no desespero e na certeza de outras estarem lá... como se certezas houvesse... e nós ali, ansiosos por explodir em salvas de palmas que os tragam seguros para baixo... para baixo... para o algodão doce:- São dois? Aqui estão, um para a menina outro para o menino... são cinco tostões faxavor... ! - Quatro bilhetinhos? Aqui estão eles, são na plateia três, na coxia como pediu... está quase a começar, dez escudos sim senhor... estamos quase a começar, daqui a cinco minutinhos... é entrar... é entrar....
Naquele dia de que não me lembro, qualquer coisa correu mal... foi no coliseu, tudo mais controlado, mais fino... nessa altura as "camas elásticas" não seriam obrigatórias, ficou-me apenas a sensação de que, entre sons abafados pelo espectáculo, que não pode parar, um emaranhado de pessoas atarantadas, num espaço de recolhimento e sombra, entre o disfarce do horror e o pânico do mal que já passou irremediavelmente para a realidade, um vazio suspenso sobre nós um público incrédulo que o barulho das luzes e da agitação do "número" que logo apareceu, tentando a custo cativar a atenção da plateia... é certo que com os joelhos a tremer de desistência e o coração que também partira dentro da ambulância com aquela que, se ouvia dizer entre murmúrios e incertezas: - Era a mais novinha, aquela trapezista com o tule azulinho, tão loirinha, tão jovem... que se ponha boa depressa ou se tiver que ser ... que Deus a guarde...
Esta ida ao circo ficou-me na memória com sombras de grande tristeza e medo de lá voltar, como se ao fazê-lo tudo se repetisse... e ninguém para me confirmar que isto se passou realmente e que eu estive lá.. talvez os adultos quisessem apagar das memórias esse dia em que, levar os filhos ao circo não fosse um retrato feliz, de palhaços e cavalinhos, algodões doces e salvas de palmas... muitas e ruidosas salvas de palmas...

segunda-feira, abril 21

Blogues escurinhos e cintilantes

Gosto de me passear... gosto de me passear pela vida fora e também gosto de o fazer no meio dos blogues;
Uns prendem-me, outros surpreendem-me, alguns não me tocam de jeito nenhum.
Isto será o que se passa com a maioria dos "navegantes"!
MAS... existe ainda um mas que condiciona, incontornavelmente, as minhas navegações...
Só uso óculos para ler, tenho vista cansada, ou algo próprio da vista "usada", e abusada, coisas da idade, o certo é que os meus olhos não conseguem descanso quando tentam ler textos azuis sobre fundos negros... ou fundos verde escuro com outras variações de cores para as letras... por mais que me esforce não dá! Fico engelhada, com rugas, chega-me a doer a cabeça, e no fim fica tudo a cintilar à minha frente... nessa tarde já não volto a ser a mesma!
Longe de mim pensar que os blogues deviam ser concebidos a pensar nas "velhinhas".
Não, não é isso que aqui venho defender...
Só para que conste: as minhas viagens têm sempre em conta um destino confortável, em que o desgaste físico e psicológico seja mínimo, e que, quando regresse ao meu canto, sinta que ganhei qualquer coisa com o "desvio"!
Por conseguinte, não se sintam mal amados aqueles a quem eu não retribua as visitas... adoro fazê-lo... ponham antes os olhos no monitor, e avaliem se daqui a mais umas décadas vão conseguir distinguir as letras dos vossos postes no fundo que escolheram... será talvez por isso que não podem contar com o prazer que eu teria se vos pudesse ler!
Assim, vou continuar a passear, por aqui e por ali, mas vou considerar sempre se tenho "vistas" para apreciar a "paisagem" ou se me devo acautelar para que os meus olhinhos não sofram um desgaste... maior do que o indispensável!
Até já

sexta-feira, abril 18

EEUUU???!!!! nãooo....

É tão curioso vir colher os "restos" dos foguetes que atiramos aos blogues...
O nosso estado de espírito, que expressamos nas palavras com que postamos, parece-nos óbvio!!!
Mas só a nós!!...
As ilações que os que vão passando deixam aqui, em formato de comentário, são o verdadeiro espelho das nossas relações com os que nos rodeiam!
As palavras escolhidas não traduzem sempre as emoções, os sentimentos, o motor da comunicação!
Como poderia eu virar as costas a este espaço onde posso ser migalha à vontade, este canto de mundo onde me encolho a um canto para carpir a solidão, onde abro janelas de luz para festejar a vida, onde, camuflados no anonimato, nos visitamos uns aos outros, nos encontramos e nos trocamos, onde as convenções e o politicamente correcto são um fantoche de outra realidade, onde o entendimento é uma miragem por vezes tão real, onde os meus silêncios não criam distâncias, enfim nesta migalha no canto da teia eu sou mais eu do que em muitos actos do dia a dia, em que a acção anula o ser... e o pensamento não pode voar.
... e depois tive a surpresa de ver comentários novos de "navegantes" que passaram por aqui pela primeira vez ou... se "mostraram" pela primeira vez.
Tudo isto para vos dizer: este blogue faz parte de mim, deu asas ao prazer que tenho quando escrevo... e quando leio... e quando comunico!
Como poderia eu virar as costas a este "pulmão", esta paisagem sobre o mundo, esta janela aberta dentro de mim!!!
Não, não vou encerrar o estabelecimento, vou continuar, ao ritmo dos encontros e dos desencontros da vida, vou andando, que é andando que o caminho se faz!
Passem bem e que tenham um fim-de-semana em cheio... ou pelo menos cheio!

quarta-feira, abril 16

Post sobre coisa nenhuma

Tenho sido pouco assídua a postar...
Gosto de escrever e pergunto-me se estou com falta de assunto
É problema que não costumo ter; dêem-me um bom "parceiro" que não me calo uma tarde inteira.
Adoro conversar, quase tanto como de estar calada; tanto gosto de falar como de ouvir, dizem que sou uma boa ouvinte... desenvolvo com o mesmo prazer temas variadíssimos, não tenho assuntos tabu, gosto de falar da minha vida, das minhas experiências, embora não abra o meu "poço" dos "segredos" a praticamente ninguém, salvo um ou outro momento excepcional com alguém bem próximo. Gosto também, a valer, de ouvir um amigo ou uma companhia descorrer sobre si, o seu mundo, as suas alegrias ou as suas ansiedades, os seus planos ou medos, as suas hesitações, a sua coragem ou tudo o mais que tenha para me dizer. Tudo isto deve ter para mim um formato à minha medida: se fôr uma conversa e não particularmente interessante, ao fim de uma hora estou farta de duas fujo. Porque eu acima de tudo amo o silêncio e, por vezes, amo a música e os sons do campo à minha volta!
Por outro lado, é com imensa facilidade que me exponho, dizendo o que penso e confessando promenores da minha vida, daqueles que para alguns serão inconfessáveis, como por exemplo a miséria de ordenado que mal me dá até meio do mês (sem médicos, nem seguros, nem extras, nem ... nem, senão nem uma semanita rende), alguns planos ou projectos que além de me trazerem benefícios a mim podem também trazer aos outros, ou o orgasmo na minha vida, desses segredos não guardo!
Por outro lado tenho receio de me tornar repetitiva, lá vem esta armada em espiritual, ou falar da bonita e grande família que tem, ou da maravilhosa experiência que é trabalhar numa biblioteca escolar, ou do amor, ou da amizade.... mas é como se de repente já tivesse dito e partilhado tudo....
Como se estivesse à espera que novos horizontes se abrissem para deles vos poder dar conta, ou que algo na minha vida ficasse de pernas para o ar e aqui visse encontrar o sentido da minha gravidade, ou mesmo que depois de perder um qualquer rumo viesse ao migalhas procurar o Norte...
Nos últimos dias vou espreitando novos blogues e fico tão gratificada por poder olhar para dentro de outras cabeças, outras vidas, corações abertos, portas escancaradas prontas a receber visitantes anónimos, espalhando de si pedacinhos por aqui e por ali, com tanta coragem , tanto humor e alguns com imensa inteligência e criatividade.
A todos os outros que me ajudam a entender melhor e de diferentes modos o mundo que me rodeia, aqui fica um bem haja e um até já... ou... porque não, um até sempre!

segunda-feira, abril 14

Feliz

As dietas são de facto motivo de grandes depressões... não é o meu caso.
Sempre gostei de exercícios de força de vontade, fazem-me sentir mais forte e com uma boa energia... gosto de saber que quem manda em mim sou eu!!!
É com imensa alegria que utilizo o meu arquivo sobre alimentação e faço uma dieta muito racional, como só alimentos de que gosto mas sabendo que, em simultâneo, me fazem bem, ou pelo menos não fazem mal.
Todos aqueles nomes estranhos que usei foi mais por brincadeira, pois, nada daquilo é base de dieta minha. Como bem e sinto-me feliz com isso. Tinha a tensão nos 15 já vou nos 13,5.... e só passaram 15 dias... sem químicos, sem carne a torto e a direito, sem gorduras (enchidos, manteiga, e outros), sem açucares em excesso, sem alcool, sem café que não sinto, nem nunca senti, a falta, era mais pelo ritual, com a caminhada diária de 30 minutos, que já fazia mas com menos regularidade, enfim com tudo isto só me posso mesmo sentir bem.
Portanto não me lamentem, antes pelo contrário,festejem comigo;
Dizem que cozinho bem, seja o que fôr, por isso as refeições continuam a ser um grande prazer... mas agora são um prazer duplo.... sabem-me bem e não me fazem mal!

sexta-feira, abril 11

Estou bem

O tempo de que disponho para aqui passar, tem sido usado a visitar os "vizinhos"; quem me visita não me leve a mal,nem tire ilações precipitadas... estou bem, até muito bem; a tensão arterial diz-me que os desleixes alimentares, nestas fases da vida, não passam despercebidos... também eu agora a engrossar a lista dos insonços, sem gorduras, nem café, sem chocolates ou bolos, aperitivos, presuntos e queijos, preguiças e sei lá eu o quê mais!
Tudo só para prevenir e não ir para as soluções químicas... ainda mais eu que tenho um passado que me legou muita informação indispensável para encaixar as mudanças com garra e inteligência.
Estou contente e cheia de vontade de pôr em prática muito do que sei e guardei para esta altura da vida, em que os prazeres da mesa têm que ser substituidos pela racionalidade e o conhecimento que acumulamos, sobre esta matéria, no decorrer de outras dietas e outros petiscos.
Sem dramas, nem stresses, com vontade e alegria: adeus bife e chocolate, bem vindos seitan e tofu, agar agar e kombu, viva a lentilha e o shouyo, viva o malte em pasta, fora com a malta da pasta e atenção comida natural aí vou eu... cheguei e desta parece que não há volta a dar... vim para ficar! Será??? Alguma coisa sobrevive à minha inconstância???
PS quando quiz corrigir os erros o cursor, a cada letra que inseria, apagava outra, talvez de ter "justificado" o texto, não sei mas que me encanitou encanitou.
Bom fim de semana para todos nós, vós e eles.
PS algumas coisitas vão doer... só a manteiga.... e o chocolate... e uma torradinha bem barrada e um belo dum bifinho do lombo e os segredos dos secretos do porco preto grelhado e os ovos moles e o arrozinho de pato... bom, não vamos ser fundamentalistas, certo? Ele há dias, e momentos, em que vale tudo, não??? Ou quase tudo, com moderação e boa consciência, que as culpas também "diz que" fazem muito mal à saúde!!!

o que me faz feliz

o que me faz feliz
o meu mundo ao contrário

O meu Farol

O meu Farol

A bela foto

A bela foto
o descanço dos meus olhos

A minha cama na relva

A minha cama na relva

O meu Algarve

O meu Algarve

...enquanto uns trabalham...

...enquanto uns trabalham...