quarta-feira, julho 16

" O Regresso" ou "Marinho Pinto",

Quero voltar...
juro
quero, mas não consigo
Gostava de o fazer em grande... não, não é bem isso... quero voltar para postar sobre um tema grande,... e tão suculento que até me sinto cheia de despudor só por tentar descascar um fruto tão apetecido... faltam-me garras, e outras coisas.
Desculpo-me por não escrever algo de surpreendente sobre MARINHO PINTO, mas ouvi-lo foi um dos útimos grandes prazeres que a televisão me porprocionou, e por isso, vejo-me compelida a comentar as suas palavras e postura, antes de qualquer outra "migalha"... ou não me desculparia... é porque no meu blogue não falo só de migalhas, falo também de assuntos verdadeiramente interessantes, sobre pessoas verdadeiramente inteligentes e verdadeiramente cobertas de razão!
... e se eu não tiver prosa que baste, peço por aqui e ali palavras que falem por mim e festejem esta lufada de ar fresco, que me consola no meio de tanta pestilência !

quarta-feira, junho 25

DECARAÇÃO SOBRE PALAVRA DE HONRA

Este blogue é mais importante para mim do que possa parecer.

Como os amigos... também não os procuro com assiduidade, sou mesmo um pouco esquiva, mas dependo disto e deles... são como pulmões para mim, sem o que me sentiria um peixe fora da água.
Se fico fora por demasiado tempo posso mesmo passar mal... preciso de saber que existem... os amigos reais e o blogue, com os virtuais... todos se complementam e FAZEM-ME FALTA!
No meu mundo trivial, da lufa lufa quotidiana, saber que tenho uma janela para ver mais longe, outras paisagens, horizontes mais limpos, paisagens mais apelativas, ar mais puro para respirar, música seleccionada e sintonizada com os meus humores.
... quando eu voltar, (é isso, vou-me ausentar), gostaria de encontrar este espaço exactamente na mesma, com esta página branca para eu encavalitar as minhas ideias em forma de letrinhas, e com estes passageiros virtuais que me fazem sentir acompanhada neste deserto que me rodeia!
Até depois, daqui a uma semana estou de volta, vou ver o mar... é que ele e as suas ondas estão à minha espera
fui

quarta-feira, junho 18

AFINAL COMO É???

Cada um é como é... mas se pudéssemos contar com a palavra que nos é dada, mesmo nas relações corriqueiras do dia a dia, como se se tratasse de uma verdadeira intenção, seria facilitador para a compreensão que cada um tem dos outros!
Isto para aqui dizer o seguinte... IRRITA-ME de sobremaneira:
Quem diz que vai... mas não vai!
Quem não responde a um convite que lhe tenha sido feito, ainda que não possa comparecer, muitas vezes já o sabendo de antemão!
Quem se mostra solicito... sem o ser!
Quem promete e não cumpre!
Quem se prontifica... mas só em palavras!
Quem diz: - Amanhã... ou depois..., sabendo nós que, esta é a maneira cobarde de dizer: - Não me comprometo...
...e mais o... "depois um dia destes eu passo por lá", ou "aparece..." que é uma sugestão esquiva e descomprometida, que nos deixa muitas dúvidas sobre a consistência do convite.
Migalhas, insignificâncias sem gravidade, que fazem parte do tipo de relações que revela falta de transparência e frontalidade deixando outros pendurados em expectativas que nunca se cumprem... ou talvez sim...!
Lamentável, sobretudo para pessoas que como eu gostam de saber com o que podem contar! Encaro a lealdade como se fosse um requisito normal... e incontornável; gosto de dizer aos outros exactamente com o que podem contar, no que de mim depender... sei que nem toda a gente gosta dos meus nãos, muito bem articulados e com estrutura de betão, talvez gostassem mais de ter como resposta um : "nim"...ou um "talvez"... mas no meu caso só me comprometo e dou o sim em vez do não quando acabei de decidir que era possivel mudar de rumo!!!
Ao NIM não lhe reconheço a côr, nem a forma, não me convence, decididamente!
Não que tenha este tipo de ralações nas minhas relações... é mais aquele colega que diz: - Não compres... eu arranjo-te isso... Eu passo por lá e resolvo-te o assunto num instante... Assim que possa trago-te...
Pois se eu me estava a preparar para agir... fico pendurada... se ele vai não podemos ir os dois... se ele traz não vou comprar, se ele resolve não chamo mais ninguém... é assim que se penduram os pendentes até mais não... no geral esta é uma forma muito nacional de não fazer nem deixar fazer... mais que nacional é bem algarvia a frase que agora, mais do que nunca, entendo até ao tutano: "- Amanhã ou depois"...!!! aqui podem colar-se todo um ror de promessas que não temos intenção de cumprir; ou intenções que não passem disso mesmo; ou escapes airosos a compromissos a que não se consegue frontalmente dizer não!
Sou doutro tempo... em que a palavra dada, ainda que pudesse ser fraquinha, tinha a firmeza de algo de nós que se dá... que nos pertence... e ali fica, a substituir-nos, até que... nós voltávamos para a substituir pelos actos a que se reportava!
Tudo isto são migalhas, coisas sem gravidade, que nos obrigam ao grande exercício de aprender a viver BEM em sociedade, sabendo como somos diferentes uns de outros e é assim que temos de nos aceitar... com tudo o que nos une e nos divide... nem sempre é fácil... nem sempre apetece... simplesmente É ASSIM!

quinta-feira, junho 12

Publicidade aqui não!

Apesar de nunca o ter feito enviei a mensagem anterior para os rascunhos; era um mail que eu, bem intencionada e ingénua, aqui vim colar no meu blogue...


Quando comentei em casa que o tinha feito, o meu perspicaz companheiro alertou-me para a séria possibilidade de se tratar de uma manobra publicitária de um livro de fundamentos duvidosos, a que ele nem o crédito de terminar concedeu.
Sendo assim, e porque não gosto que façam a vidinha assente na boa fé dos naifs como eu, pura e simplesmente retirei a publicidade grátis que estava fazendo.


Já agora o livro era o Clube Bildelberg que, ao que parece, é uma ficção de duvidosa qualidade, a querer passar por História Política!
Obrigada ao Xistosa pelo comentário que deixou!

quarta-feira, junho 11

Há MAR, há MAR

Passeio redentor
Não encontro palavras para descrever a paz que trago dentro de mim, dei-me um passeio de quatro kilómetros, no ir e no vir, beira mar, eu, o mar muito verde, muito fresco e sedutor, a areia ora fôfa, ora compacta, debaixo dos meus saudosos pés... um encontro feliz, passadas largas, soltas, voadoras, olhos gratificados pousados no ondular que brinca com o meu olhar... e o meu andar, para cá... e para lá... fujo-te ou entrego-me, deixo a água fresca molhar-me os pés, que bom.
Os sons, o marulhar alegre do mar calmo, o pio de uma ou outra ave marinha, a minha respiração, e os meus passos a deixar as pégadas da minha libertação na areia.
No regresso já a minha passagem se diluiu, trago o pensamento solto e livre.
Palmos e palmos de areia, lagoas que o mar, por passatempo, desenhou na praia e vivalma, vivalma, só eu e uma ou duas pessoas com quem me cruzei, também elas distraídas do mundo, certamente também elas felizes, alheias de tudo, entregues ao que aquela imensidão de natureza nos proporciona... o tempo parado, e os meus passos, a minha respiração... e o mar, o mar imenso estendido à minha espera, no seu momento de calma, empenhado em lembrar-me quem sou eu...
No fim da caminhada um mergulho fresquíssimo e o prazer imenso do sol a aquecer-me o corpo satisfeito.
Que bom... no fim de semana quero mais... é que dia 16 é feriado por estas bandas...

segunda-feira, junho 9

ai ... mar

Falta-me o sol e o mar... agora que ele está aí ainda não lhe dediquei atenção... já lhe sinto a falta, o calor consola os sentidos, acalma as ansiedades, incita à contemplação e ao convívio, janelas abertas de par em par recusando os cantos escuros.
Tenho alguns cantos escuros que preciso de iluminar.
Vou pôr os pés na areia quente, vou refrescá-los no mar, vou esperar que isso me console e conforte.
Tenho saudades do mar e da praia e sei que ela também tem saudades minhas, anseia por me estender as suas areias para que nelas me espraie, atirar-me suavemente a água do seu mar sobre os pés, refrescando-me o corpo, lembrando-me que também eu sou gota, também faço parte, diluo os meus gestos em continuidade perfeita com o movimento das suas ondas, energia pura, em festa e em luz.
Nostalgia do mar... ele aqui tão perto e distraí-me da sua proximidade... agora que quase que lhe toco, chega a doer-me no peito a falta que lhe sinto!
Bom feriado

terça-feira, maio 27

Amigos improváveis

O maior deles todos é mesmo grande... de uma grandeza generalizada, que faz dos outros, os pequenos, pequenas amostras da espécie... todo negro, com porte de gigante e comportamentos simpáticos e brincalhões, distraído da sua aparência assustadora, que mantém os estranhos à distância, cautelosos, cozidos à parede, só com a insistência das nossas palavras de confiança, esquecem aquele primeiro susto e, reconhecem então a sua aproximação carregada de simpatia e afabilidade !


Este portento tem dois apêndices, pequenos e fieis, que o adoram e que ele adora... não fossem os três companheiros de uma infância de aventuras e liberdade, à solta nos campos, dentro e fora da quinta, pois, embora o espaço seja grande, não resistem à descoberta do que está para lá dos muros, o outro mundo, com outros perigos, companheiros,... e outro tanto que só eles conhecem!


O gigante e os seus amigos, são um prazer para quem os vê; todos nos deliciamos, todos reconhecemos o lado improvável daqueles laços de amizade... mal sabem eles o quanto diferente nos parecem, ao nosso olhar criterioso, aquelas disparatadas desproporções.
Pandinha, todo sensível e peludinho, malhado de branco sobre um pêlo preto e sedoso, muito infantil, tem sentido nos últimos dias, no pêlo, a segregação e os maus tratos da parte do seu rabugento irmão... Formigo, descobriu o seu perfil de reguila, depois de lhe ter passado a roda de um automóvel por cima, em manifestação pós-traumática, digo eu , sarapintou o pêlo, também negro, de um branco aqui e outro ali, que lhe dão um arzinho de maduro e, daí em diante, partiu para outras tendências... fez-se refilão, e mesmo muito pouco cordial para com o irmão... dá-lhe para o ciúme e a possessividade e quer o Zappa todo só para ele! Será que não vê a enormidade do fiel amigo, a generosidade e paciência com que aceita a dupla? Não achará ele que é muito cão para um só minorca?... não entenderá que a partilha gera mais e mais brincadeira? Assim parece!!!
É que a história está ainda incompleta, falta outro improvável elemento... uma cadelinha, com cerca de 5 anos, muito ciosa de si e do seu espaço, com feitio de poucos amigos, recebe as visitas refilando até que a mandemos calar, pois para ela todos os que não são de dentro são de fora... ou seja, ou vivem no Monte, ou para ela são intrusos, por mais que nos visitem, por mais que apareçam... feitios...
A aparência da menina é a de uma esfregonazinha velha, pequenina, contraria esta descrição com uns arranques de boa disposição quando dá corridas furiosas de um lado para o outro, empurrada por uma qualquer energia, feita de saudade curada na alegria de nos rever quando voltamos da rua, mas logo se aquieta voltando à sua habitual postura de solitária e sonhadora rapariga casadoira, a quem só aparecem noivos, mais uma vez, improváveis.
O seu nome, improvável também: Xakira!
É aqui que bate o ponto... ou seja a "nódoa", o motivo destes novos atritos, tem um enquadramento e na moldura do Formigo está estacionada a Xaquirinha, bela, cheirosa e sedutora coberta do seu manto de pêlo de esfregona usada, com feias marcas de olheiras feitas de despenteado pêlo acastanhado sobre um fundo branco sujo, muito sujo, malha aqui, malha acoli, tudo muito desordenado e irregular... a minha Xaquirinha é mesmo feiosa... mas ela não sabe... e não sou eu que lho vou dizer!
E lá andam todos, no seu grande espaço, despreocupados e bem cuidados pelo dono e mimados pela dona, empurrados por impulsos e instintos vão gozando os dias na descontracção que Deus lhes deu. Não me sinto DONA de coisa nenhuma mas nisto dos cães é assim que me vejo, pois eu sou tanto dona deles como eles donos do meu amor e ternura por eles, cada um na sua vidinha cada um no seu espaço!
O Zappa, grande em tamanho e simpatia, ai de nós quando lhe cheirar a namoros, acaba-se de vez com as amizades improváveis... o Pandinha, encolhido e surpreso com a nova agressividade do irmão, até há data tão igual, tão irmão, o Formigo menos irmão e mais macho, mais fera mais instinto, apesar do seu diminuto porte, sempre vai mostrando os caninos afiados a alguém... o inconformado sangue do mesmo sangue... e finalmente a donzela, a Xaquirita, entre o indiferente e o pomposo, de juventude duvidosa, sempre vai aproveitando os admiradores, alguma cor e animação hão-de trazer à sua pacata existência...
E nós, os racionais cá nos vamos divertindo com estas nuances do relacionamento canino, tão mais legítimo e compreensível do que, bom enfim... era do fiel amigo dos homens que tratava a minha vontade de escrever... não tencionava bater em ninguém a esta hora.

quinta-feira, maio 15

não, Não, NÃO

Os meus nãos, bem espremidinhos, não valem grande coisa!
Quem me conhece bem não resiste à tentação de insistir, por vezes nem muito, acabo por deixar cair, e pergunto-me repetidamente: Porquê???
Vou construindo as minhas teorias sobre esta "moleza" de atitude; não condiz com muitos dos traços do meu carácter e da minha, por vezes, "intransigência"!
EU NÃO CONSIGO LIMITAR A LIBERDADE DO MEU SEMELHANTE QUANDO ELE A DEFENDE COM ARGUMENTOS OU TEIMOSIA!
Enquanto eles se defendem, estrebucham e bracejam eu vou considerando: "-Mas porque não? Será assim tão importante o que estou a exigir? Terá mesmo, inadiavelmente, de ser agora??? Coitado,... ele quer tanto? Olha lá como se bate por isto! A vidinha são dois dias para quê tanta rectidão? Deixá-lo!
Enquanto isto se passa, o jogo psicológico está instalado... o "adversário" acaba por perceber:
" - Olha lá para o não dela... está a ficar tão fraquinho..."
E aí vai disto: "- Vá lá... deixe lá... só hoje... só um bocadinho... eu prometo... nunca mais... juro que depois...
E eu a ver... e a pensar... a vida são dois dias, a importância é tão, mas tão relativa, afinal a própria vida é quem mais ensina, a força desta minha imposição é migalha sem causa... e lá vai o meu não encolhendo, encolhendo, perdendo expressão, o olhar já distraído, a voz embrulhada nos pensamentos que me diluem as certezas vai-se diluindo, diluindo até ao silêncio pontuado com um desconcertante encolher de ombros... deixo cair, de repente aquele não pufff... evapora-se no ar com se não tivesse chegado a existir. O meu interlocutor até hesita olha à volta espera uma reacção... mas eu já nem estou lá. É assim mais ou menos a fórmula de uma má educadora, pelo menos em parte!
Mergulhada nas minhas incertezas sobre liberdades e restrições, impotente perante a inconsistência dos meus nãos, lá me vou a pensar que o melhor era nem ter começado o braço de ferro! Tá feito, nada a fazer nem lamentar vale a pena.
Por outro lado, e por oposição, defendo as minhas infimas liberdades com unhas, com dentes, com garras! Os meus nãos, quando se trata dos meus movimentos, ideias, opções, trazem uns muros mais altos do que eu, que limitam o acesso e deixam à distância de um não gritado qualquer incauto que me queira demover!
Pelo menos por princípio digo sempre que não a tudo, ou quase tudo, para ganhar tempo... depois enquanto o outro se recompõe eu reconsidero, avalio e adequo... por isso, quem me conhece já sabe... muitos poucos dos meus nãos são nãos... alguns são espera lá, outros assim assim outros nem por isso, ou talvez... porque os outros, os não a valer, são uma infima percentagem, e às vezes nem chegam a palavra... são um desapercebido e teimoso silêncio!
Somos muito complicados, nós, os terráqueos... e as terráqueas ainda mais, ao que dizem... e eu concordo!
l

segunda-feira, maio 12

Jorge Palma e o seu merecido globo

Foi com imenso prazer que vi finalmente reconhecido o indiscutível talento do Jorge Palma ser brindado com um globo de ouro.


Há já muito que o Jorge conquistou o Globo e lhe deu as voltas que bem entendeu, para o bem e para o mal, sempre intensamente, brotando músicas que nos ficam entranhadas no ritmo e nas palavras.
Com a mesma naturalidade com que viveu o anonimato, agora chegou aos topes e é cantado por todos, como se ainda agora tivesse aqui desembarcado...
"Tudo Bem", ele já nos encanta há décadas, chegou-lhe a vez de desaguar agora no estrelato... reconhecido o mérito, subiu o seu nome ao ouro e lá se tem mantido.


É certo que ele gosta do carinho e entusiasmo dos fãs, sobretudo delas, que vão dos 18 aos 80... deve ser bom encostar o corpo cansado de tantas aventuras ao encosto da fama, mas não é disso que ele se alimenta... é homem doutras andanças, anima-se com outras realidades, são outras as verdades de que se veste... não as lanteloulas e o glamour dos globos, que ontem se dizia com tanto entusiasmo, quase se colarem aos outros, os americanos... mas pronto essa vontade de parecer, parece mais urgente do que a vontade de ser e essa não me parece ser a pauta onde o Jorge desenrola a sua vida!


Assim, foi com entusiasmo que o vi subir ao palco, tão chique, na sua fuga ao inevitável formalismno do traje de cerimónia, tão igual a ele próprio, com tudo o que isso tem de bom e, esperava eu, cheia de curiosidade, que um discurso informal, mas sentido, desse cor à sua contida emoção... precisava de tempo, de espaço...
Foi aí que o mau gosto, tantas vezes manifestado pelo Herman, se impôs e foi ele que tão alarvemente lhe arrancou o momento de discreto protagonismo para o qual nos estavamos todos a preparar.
Para mal dos nossos pecados o "humorista" ousou coreografar e protagonizar um momento que não lhe pertencia... excesso de confiança, incontinente desejo de se expôr, mesmo quando o bom gosto e senso de razoabilidade exigiam a secundarização do seu papel sobre aquele palco.
O Jorge só tinha duas opções... ou era desagradável para com ele, o que para uma pessoa com nível e educação era impensável, ou deixava-se levar, sem reagir nem fazer sua, aquela desnecessária palhaçada... foi o que ele fez...
Pena Seu Herman... é que eu estava mesmo com curiosidade e entusiasmo pelo momento. Gostava imenso de ter ouvido, com que palavras o Jorge nos ia desvelar o que lhe ia dentro... ilegitimamente você roubou-nos essa oportunidade única!
Às vezes, aprender e saber o silêncio, é mesmo o melhor caminho.
Bom... já lá vai... fica esta ligeira sensação de que me tiraram qualquer coisa que me era devida, a mim e aos que acreditam, há já muito tempo, que o Palma é mesmo especial, do melhor, genuíno... e BOM... não de agora, mas de há já muito tempo.
Finalmente, ver-lhe reconhecido o mérito é o que verdadeiramente importa... tudo o resto são migalhas!!!

terça-feira, abril 29

A Saltimbanca

Também muito longe, nos arquivos da memória mais longinqua, no sotão mais bem guardado que é o arquivo da nossa infância, nesse recôndito tesouro, guardo uma mãe diferente de tantas outras que fui conhecendo nas minhas histórias...
Esta mãe concorria com a minha, ficava-lhe atrás apenas por um rebento mais: era berço de nove filhos e visitava a nossa casa nas épocas mais festivas: Natal, Páscoa, férias e noutras, só porque lhe dava na gana.
Parecia sentir-se em casa, uma casa recheada de filhos que não eram os seus, mas a quem esticava os braços para um colo, ou um carinho, que lhe sobejava ainda dos muitos que distribuia pelos seus.
O passado desta fértil mulher era igualmente fértil em lembranças, que lhe afloravam entrelaçadas num fio sem lógica que nós entendessemos , nas conversas que se desenrolavam de carreirinha, porque muita vida a esperava lá fora.
Chamávamos-lhe a SALTIMBANCA.
Antes de juntar trapinhos com o homem que lhe deu a prole, vivera num circo, filha de mãe trapezista, familiarizada com a existência nómada, parecia que também os seus pensamentos, ideias e conversas não assentavam arreiais! Saltava de uma às outras com a mesma graça com que teria a sua mãe, "trapezista de se lhe tirar o chapéu", segundo as suas palavras, saltado e voado de circo em circo, pela sua vida fora.
A saltimbanca vivia numa barraquinha, e passava grandes dificuldades, mas isso nunca pareceu motivo de tristeza... para ela, tudo era uma festa, a vida uma alegria... assim parecia que outro modo não tinha de encarar os dias.
Vinha pela roupa, também nós eramos muitos, havia sempre qualquer saquinho preparado para partilhar, alguma merceeiria ´sempre útil, mas vinha, sobretudo, pela conversa... não tinha maldade, nem inveja, nunca se sentiu diminuida perante o desafogo com que viviamos, encarava com a maior naturalidade o "abismo" que separava as duas famílias, aliás tudo encarava com naturalidade... até na morte ela vivia as suas alegrias... da mãezinha no caixão, a famosa trapezista, só se recordava de tão linda que ela estava, no seu mais lindo vestido de lantejoulas amarelas... nada de dor, nada de saudade, o orgulho, o prazer de reconhecer que até na morte encontrara a sua beleza... disto me lembrou a minha mãe, eu era ainda muito jovem na época.
Ao pai dos filhos, homem de alta estatura, sêco e com o olhar sombrio, como se tivesse ele de carregar sobre os ombros o peso da tristeza e das preocupações de ambos, arranjou-se-lhe mais tarde trabalho, pois o que tinha estava a matá-lo todos os dias... na fundição de Oeiras lá ía consumindo, os pulmões e o resto, mais do que podia... assim a vida melhorou um pouco... mas não foi isso que trouxe alegria à nossa Saltimbanca... ainda hoje me pergunto de onde lhe vinha tamanha vivacidade... tão redundante alegria que a todos nós contagiava... com se da vida não tivesse recebido mais do que aquilo que alguma vez houvesse pedido...
Talvez o segredo da Saltimbanca fosse nada pedir... tudo aceitar e em tudo ver vida, em tudo existir, numa aventura sem rede num trapézio voador com destino ao céu

o que me faz feliz

o que me faz feliz
o meu mundo ao contrário

O meu Farol

O meu Farol

A bela foto

A bela foto
o descanço dos meus olhos

A minha cama na relva

A minha cama na relva

O meu Algarve

O meu Algarve

...enquanto uns trabalham...

...enquanto uns trabalham...