A nossa sociedade tem , com a morte, uma relação de cerimónia que não facilita nada. Eu explico... quando as pessoas que amamos estão doentes, ou "gastas", esse é um facto que condiciona, em absoluto, os nossos sentimentos e emoções quando estamos junto delas!
Por tradição, e cultura, nesses momentos falam-se de coisas levezinhas, até banais... não gostaria de entrar naquilo que é o mundo mais intimo e profundo, nos pensamentos mais solitários e reservados de cada um, sem ser para isso convidada... a mim parece-me que trazer o assunto à baila, falar abertamente do que se sente, dos medos e dos anseios, do pavor, do pânico associado à morte, poder procurar aconchego e ânimo nas palavras dos que nos amam, com eles refectir, reforçar a ideia de que a morte é um fim, é terminar tudo o que conhecemos, partir em direcção a um nada, o total desconhecido... para alguns, o vazio absoluto... para outros uma aventura... assustadora, adiável até ao último apelo, mas o começo de uma outra forma de existir.
Seguindo a ideia de que tudo se transforma, também nós vamos largar esta forma fisica, que é a única coisa que conhecemos, mas a energia pura, que habita cada uma das nossas células, há- de encontrar outra morada, outra forma de vida, um desconhecido caminho para nós, há-de ser revelado no momento em que se cumprir o nosso destino... depois ficaremos noutra dimensão, e outro será o percurso dessa luz que já não habita o nosso corpo, mas encontra morada algures no universo.
Esta foi uma curta passagem; para uns mais curta para outros mais longa, mas eu não vim do nada, não sei onde esperei pela minha vez de encontrar a porta que a minha mão me abriu para esta vida...
Quando me fôr, acredito que outra dimensão me espera, a mim ou áquilo que eu consegui fazer com as ferramentas que tive, com o amor que usei, para tornar a luz dentro de mim mais limpa, mais intensa e mais diluida em todas as energias e todas a existências em meu redor, no sentido de me unir á energia mãe, ou pai, e ultrapassar esta embalagem física, esta consciência terrena, sempre e o mais que eu possa!
Estas convicções tão subjectivas invadem-me, atormentam-me, tiram-me o chão, desorientam-me... ganham-me o céu, enfim, é aquilo que se avoluma dentro de mim quando a vida me fala de doença de morte... são apenas palavras, pensamentos, cristais de dor com que quero e tento aprender a lidar... porque se não há volta a dar à morte, então o caminho é mesmo tudo fazer para a aceitar, tentar entender, interpretar... não é nada fácil... todos os dias, de uma forma ou outra, reconheço a morte... sempre por perto, mas na minha vida (entenda-se, dos que amo) ainda um pouco invisível, fugidia, a dar-me tempo... e ferramentas... e eu a aproveitar... e a adiar...