segunda-feira, agosto 9

Férias na Zambujeira

Fresca e repousada, estendida sobre a cama, despertei-me num suave ruído que me trouxe para fora do quarto, mesmo ali, roçando-se na parede da janela do quarto, aquele ritmado som que quase se apaga, para logo renascer, numa cadência de esforço sem nome, morria e logo recomeçava, persistente, esforçado, como se um último suspiro teimasse em voltar, quase inaudível, teimoso, a adiar o inadiável!
Em silêncio quis saber e, curiosa, estiquei-me para fora da janela; abrindo o olhar sobre uma alma sem idade, que arrastava um corpo com mais de 150 anos, sobre duas muletas... Tic- Tic, o metal no seu cantar quase leve, muito lento, batia a calçada, como se não houvesse amanhã, em contraste com o que sobre ele se arrastava numa lentidão de doer, numa insistência de admirar, só porque parar é morrer a velha senhora ia em direcção ao mar, às falésias que nem sei se os seus gastos olhos conseguiam alcançar, mesmo ali à sua frente... talvez o cheiro a marezia... quem sabe a brisa do mar, o grito das gaivotas... talvez apenas o peso, ou a leveza das recordações, quem sabe se a certeza de que parar é morrer... certo é que ela se movia e alguma certeza tinha porque não parava, tão lenta quanto se possa imaginar... o mar imenso oferecia-nos a ambas o espectáculo sublime da sua comovente imensidão... ela, a velha senhora, oferecia-me uma lição de vida!
Recolhi-me ao silêncio, dentro do quarto e pensei... assim se gozam as férias na Zambujeira do Mar!
Nota: marezia será com S, mas a mim se assim fôr já não me cheira a mar!

domingo, abril 18

Afinal quem manda???

Caos nos aeroportos... a natureza a dar-nos mostra da sua supremacia.
Para quem ainda duvida é a surpresa, quase indignação.
Ainda assim, a "importância relativa" de quem vê os seus planos abortados a querer bater o pé...
"... "eles" têm de me resolver o problema... só sei que amanhã temos de estar de regresso..."
Gosto, gosto quando, assim mesmo, sem mortos nem feridos, somos empurrados para a nossa insignificância e pequenez, quando todos os nossos planos e reevindicações são reduzidos a pó de traque!
Só tenho pena que o grande destaque das notícias se vire sistematicamente para os transtornos que se verificam como consequência de acontecimentos a que, infelizmente não se vão acrescentando dados e imagens, porque a tal nuvem só está é a dar dores de cabeça aos europeus e aprendermos um pouco sobre o que se está a passar não interessa mesmo a ninguém, ao que parece!

sexta-feira, fevereiro 19

Mais valia estares caladinha, ouvistes???

Sou daquelas que se gaba de ter aprendido a escrever quando o erro era um erro.
Gabo-me de naquele tempo a quarta classe dar direito, mesmo, a aprender a escrever português.
Hoje andei aqui pelo meu migalhas a recolher textos, aleatoriamente, não gostaria que se perdessem, alguns lembro-me de que gostei imenso de os reler, mas hoje nem era o caso. Copiei-os a granel, tudo ao monte para uma pastinha, não reli um que fosse.. Tive de os passar pelo Word, pareceu-me a melhor forma de o fazer.
UI, UI.
As palavras sublinhadas a vermelho eram bem mais numerosas do que eu imaginava.
Tanto, mas tanto erro que tenho dado por aqui, até dói, cheguei a sentir vergonha … não por mim, que não sou nada dada a vergonhas, mas por quem acredita que eu escrevo menos mal…
Palavras inventadas são às mãos cheias, mas essas são minhas filhas, e dos filhos gostamos sempre, nem que sejam uns abortos;
advérbios de modo insisto em pôr-lhes acento, talvez para que não restem dúvidas; papar letrinhas ou repetir sílabas é até fartar, deve ser do alzeimer;
os ssss gosto dos levar a zzzz;
iiii e eeee vai tudo dar no mesmo, vai como sair:
descansar faço-o sempre com uma cedilha debaixo, assim: descançar, vá-se lá saber porquê;
até com cidadões por aqui me cruzei…
cruzes canhoto que dar erros nem é pecado… o busílis está na presunção com que eu me arrumava do lado dos que “até nem dão muitos erros”.
Afinal são tudo promenores, que também assim tive o desplante de escrever, mas o que realmente interessa é organizar a ideia, dar força ao pensamento, expressar o sentimento, partilhar a emoção, sei lá eu, alimentar-me mais tarde destas migalhas que por aqui deixo agora, para as reler, reconhecer-me e encontrar-me quando ando mais perdida.
PS quanto ao Fernando Nobre… que conte comigo, como é óbvio… é que eu já vou contando com ele!

domingo, janeiro 3

ping, ping, ping...

Hoje convinha-me um radioso e longo dia de sol, daqueles que convidam a sairmos de nós, os olhos postos na natureza, coração aberto, esperança bebida no cântico dos pássaros!
Mas não... um longo dia dos mais longos dias curtos de Inverno, em que a chuva parece mais molhada e insistente, o cinzento do céu mais abrangente, escurecendo-nos por dentro, invadindo-nos as entranhas com as suas humidades , o vento forte vai varrendo qualquer ideia mais leve que se tente instalar... o ar denso e pesado a cansar os ombros e a alma.
Pode ser que o mundo à minha volta esteja ainda mais triste, pobre ou infeliz do que eu e este meu sentir caprichoso... mas esta saudade de me deitar na relva seca, pedindo a uma árvore que me abrigue na sua sombra para que goze melhor ainda os raios quentinhos do sol torna-se obsessiva num dia como um dos mais longos curto dia de Inverno!
Gosto das estações do ano... de todas... mesmo quando trazem nos seus dias extremos e excessos que lhes sejam próprios, levando-me a esquecer como elas passam por nós voando e outros dias, com diferentes caminhos para o meu sentir se vão substituindo, uns atrás de outros, deixando marcas profundas... ou nem tanto... no meu humor!


Quem me dera o sol por dentro, sentir o apelo da natureza, contar-lhe de mim e vê-la alheia a coisas miúdas, migalhas dos meus caprichos, persistindo na renovação, indicando-me o caminho.
Tem dias em que até as sementes bem guardadas no fundo de mim se enchem de mofo e tristeza, parece-lhes que nunca mais vai chegar o dia de irem a fruto, a flôr, e é nesses tristes dias curtos de sol e longos de escuridão que eu fecho os olhos para sonhar que estou na areia, na relva, no chão... e sinto aquele calorzinho que me dá a vida, a aquecer-me , por dentro, por fora, até que o dentro e o fora são UM só e aí lembro-me... pois se isto é assim todos os anos... ainda não te habituaste?... e como dizes tu que gostas das estações do ano se o pingo do inverno te deixa sem cor e com os excessos do Verão te derretes?

Não era este o post com que gostaria de interromper um interregno que já vai longo, não sei se já deu para repararem, é que está mesmo de chuva, é INVERNO a doer... mas do mal o menos... o Natal já lá vai e um Ano Novo bom para todos nós é o que peço à chuva, ao frio e ao vento!

segunda-feira, novembro 9

...nem cobertas de chocolate...

É um comportamento novo, quanto a isso penso não me restarem dúvidas
Já lá vai o tempo em que tínhamos classes confiáveis na nossa sociedade, pelo menos era isso que julgava o comum dos cidadãos... um padre, uma professora primária, um Dótôre, um agente da autoridade, por exemplo, tinham como garantido que a sua palavra pesava no prato da balança mais do que as juras de quem com ele quisesse medir forças, ou veracidades...
Desses impolutos, os primeiros a cair foram os políticos, agora tão transversalmente desacreditados... os professores também passaram de intocáveis ao descrédito debochado, os padres, enfim, temos de tudo... de pedófilos até traficantes de armas, é o que se queira...
Agora são os médicos e as organizações que "dirigem". É o descrédito absoluto e ostensivo pelas suas directivas... e a prova disso está na falta de receptividade com que a vacina da gripe mais famosa dos últimos tempos foi recebida... os grupos de risco foram encolhendo, encolhendo, os grupos prioritários reduziram-se evaporaram-se e, eis senão quando, a generosidade dos nossos governantes deu em querer vacinar pura e simplesmente quem se chegar à frente. É hilariante... nem com toda a propaganda, o marketing... "ah, e tal, não chega para todos, primeiro os prioritários"... cartas para os utentes priviligiados... pensavam eles que íamos andar todos numa de também quero... hi, hi, hi, enganaram-se bem... por uma vez fomos "nós" que os enganámos... parece que as cabeças começaram a pensar... cada uma por si... com todas as desconfianças e cautelas que o passado recomendava... e finalmente, os senhores do poder, os que detêm os laboratórios, a informação e o resto, pode ser que fiquem com um stock de vacinas encalhado... de que se lembrem no futuro...é que, se a maltinha lhe dá para começar a pensar o seu reinado tem os dias contados... nada muda, ou pouco muda, mas a certeza de, saber e poder, controlar, extorquir quem anda mal informado e, por fragilidades, se deixa conduzir, já deixou de ser "favas contadas"... as vacinas eram dinheiro em caixa... agora são caixas e caixas, aos milhares, a serem distribuidas, oferecidas, impingidas por quem espera lucros, a quem lhes vira as costas, porque pura e simplesmente está farto de ser enganado, explorado, chulado, manipulado, e quer um basta neste rega bofe onde tudo se faz às claras, com o conluio de quem nos devia defender e a participação de quem não impõe limites à sua ganância!
PS o mais certo é arranjarem maneira de escoar as ditas vacinas, nem que seja em pastelinhos de bacalhau... ou de massa tenra...

terça-feira, novembro 3

o abismo

Abrir as asas
olhar para cima,
atirar o corpo pesado à leveza do ar
planar,
asas abertas,

em baixo o abismo

...o olhar... para cima!

quinta-feira, outubro 29

diferença?? o que é mesmo isso??

Não entendo o racismo!
Não sinto, nem ínfima, amostra de aversão ou repúdio pela diferença!
Quando me cruzo, ou relaciono, com "criaturas" que não se enquadram, ou encaixam, em conceitos preestabelecidos de normalidade, tenho sempre um tempo de paragem, como se dentro de mim se abrisse uma janela para uma nova paisagem que, por isso mesmo, já atrai a minha atenção, sinto a vontade de compreender e conhecer novos mundos, cabeças divergentes, diferentes formas de ser e estar entre nós! ... e quando me parecem mais frágeis, ainda mais espaço se cria dentro de mim, para acolher o que me é estranho, desconhecido!
Ultrapassa-me que isto possa ser obstáculo e não motivo de aproximação entre as pessoas... e o facto de desconhecer estimula a minha curiosidade, o meu interesse. Outro modo de sentir estas diversidades é-me tão difícil de entender... parece-me incontornavelmente uma limitação, uma tacanhez...
Porque a diferença é uma realidade que existe seguramente entre todos nós, essa diferença que nos torna únicos, irrepetíveis, cada um, um entre todos, de dentro para fora, inseridos no todo, mas sempre indivíduos... mas aquela diferença que divide, atribuindo qualidades e defeitos transversais que se aplicam a todos os elementos de um qualquer grupo, a TODOS, agrupando-os taxativamente, segundo leituras feitas de fora para dentro, juntando os "cada um" e transformando-os num só... essa convicção de DIFERENÇA desconserta-me, faz-me imensa confusão, como se a linguagem usada me fosse completamente obtusa, abstracta... até porque, bem cá no fundo, eu nem sei muito bem o que é ser diferente, não sei se isso existe.... não o somos todos, afinal?
há os que levam a vida toda a querer ser "iguais", os que se declaram diferentes, orgulhosa ou envergonhadamente diferentes... e aqueles que se perguntam, como eu, onde nos leva esta vontade de espelhos e de desencontros, de encontros ou de guerras...

quinta-feira, outubro 22

viajantes

Acordamos a cada dia, com planos preconcebidos de ir aqui e acolá, tratar deste ou daquele assunto, trabalhar, ficar em casa, enfim... certezas que não o deviam ser... cada dia, cada momento é uma aventura, uma viagem sem regresso, caminhos a desbravar, sem retorno, mudando e renovando-se a cada passo.
Para essa viagem cada um de nós transporta o que lhe parece indispensável, essencial, o que lhe é mais querido ou mais estruturante para usar como bússola, como referência!
Cruzo-me com viajantes que agarram o passado, num forte abraço, lembrando outros momentos, outras pessoas, experiências idênticas, recordações reconfortantes, traumas e mágoas de estimação, seja o que fôr... desde que seja passado... e esteja presente... "no meu tempo é que era bom..." esta frase espreita e ensombra o efeito surpresa, a novidade que se pode extrair de cada viagem... por outro lado também é ajuizado saber usar hoje o conhecimento de ontem!
Com outros surpreendo-me da tendência que os leva a, num voo "cego"de quem parece não querer estar "presente", sobrevoarem a paisagem e, num golpe de asas, transportarem-se para outro "continente"... o do futuro, aquele que lhes parece mais promissor, mais carregado de verdadeira adrenalina, ... "ai quando eu for grande...", "nas férias é que vai ser...", "quando eu acabar o meu curso...", "depois do bébé nascer...", assim lhes parece, talvez, serem as asas mais fortes, resistentes, os voos mais altos, mais seguros!
... e penso... como funciona o meu roteiro?... e o meu plano de viagens? Que levo eu comigo quando parto em direcção ao "desconhecido"?
Pertenço a um outro grupo de viajantes que seguem viagem noutra "excursão"... e levo outras escolhas na bagagem.
Passo a explicar.... parto sempre de dentro de mim para onde quer que me dirija... o passado e o futuro ocupam pequenos espaços... não considero pior ou melhor este género de viajante. Até porque não existe conotação positiva ou negativa nestes considerandos. O eu e o mim são o meu passaporte para entrar noutros mundos, funcionam como um filtro que me possibilita traduzir para a minha realidade cromática outras "vistas" que me são oferecidas!
No entanto, todos nós gostamos, ou seria bom e natural que gostássemos, de viajar, pois essa é mesmo a nossa condição… a de viajantes! Todos trazemos, na hora de partir, futuro, presente e passado… todos trazemos muito de nós…
Seria bom, e é recomendável, levar um pouco de tudo o que nos pode vir a fazer falta!
… e, em determinados momentos, reconhecer que nos dava mais jeito ser nossa, a bagagem dos viajantes com quem nos cruzamos… e a cada dia, antes da partida, fazer um check up list , adaptando os preparativos e as bagagens, de forma inteligente e dedicada, fazendo os ajustes necessários para que tenhamos à mão os “mapas e bússolas” que nos vão acudir às dúvidas e aflições, hesitações, entusiasmos e fraquezas… a tudo… em tudo!

sexta-feira, outubro 16

xico ração

A manifestação de afecto mais completa a que já me entreguei foi, decididamente , o abraço
Há-os pequeninos e tímidos, quase de fugida em que pouco fica manifesto
Os protectores, quando um par de braços envolve na sua intenção e nas suas "asas" um par de braços que cresce com a troca
o abraço profundo e intenso, aquele que separa duas criaturas que foram uma só
o outro, o ABRAÇO, aquele que nos devolve, ao cabo de 9 meses, o fruto então concebido
e mais... o abraço sentido, que passa a emoção, a solidariedade, a irmandade de quem partilha, de bom e de mau, o que há a partilhar, começando nos nascimentos e acabando na morte
Nas minhas preferências vou dizer desde já que um xicoração é todo, TODO, bom... dá-se e recebe-se sem cerimónias nem timidezes, a uma criança, a um amigo, manda-se por mail ou msn, fica giro em letras, faz um conjunto gráfico que me é simpático, e enche a boca XXIICOOOraçÃAOOOuuu
... entendo-o desde que me entendo, é velho amigo, já dei e recebi paletes de xicorações e ainda não me cansei!!!
... e isto tudo para quê???
só mesmo para distribuir por aí à brava e à bruta xicorações
... há momentos na vida em que se selam, guerras e discussões, ou acalmam dúvidas, e saciam saudades, e tanto mais se faz com um terno xicoração!
usem e abusem, faz bem a quem dá e a quem recebe, saiem todos a ganhar e melhores pessoas!
digo eu

encontro

olhar, tocar, sentir,
olhar... mergulhar... afundar...
... desaguar...
suspirar, sorrir
olharrr
ficarrrrr

simplesmente, simples

o que me faz feliz

o que me faz feliz
o meu mundo ao contrário

O meu Farol

O meu Farol

A bela foto

A bela foto
o descanço dos meus olhos

A minha cama na relva

A minha cama na relva

O meu Algarve

O meu Algarve

...enquanto uns trabalham...

...enquanto uns trabalham...