quarta-feira, maio 20

Assim tanto espaço também não....

Então é por isso
Quando os homens e o seu mundo ocupam demasiado espaço dentro de mim, como se fossem, de facto o centro de tudo o que existe, quando o meu olhar não alcança mais do que as suas casas, as suas construções, os seu meios de transporte, o meu ouvido se enche dos sons que produzem... eles e o mundo que é só deles, com as suas máquinas, as suas vozes, os seus ritmos alucinantes e alucinados, quando para encontrar o meu equilíbrio tenho de olhar para o céu, procurar o seu azul, ou viajar nas suas nuvens, quando já não sei se as estrelas ainda brilham, se a lua está cheia ou nova, quando tudo isto e muito mais me acontece eu sinto uma irresistível necessidade de fugir!
Sinto-me mal... triste e envergonhada, pertenço a uma espécie assustadoramente invasora, parasita e prepotente, em que os mais fortes esmagam os mais fracos, até mais não poder; consome hoje em excesso, desperdiçando, o que amanhã há-de ser vital aos seus filhos;
causa sofrimento aos seus irmãos... e rejeita como irmãos aqueles que são diferentes!
Assiste indiferente ao desaparecimento de outras espécies e foge aos saltos e gritinhos quando algum outro animal se cruza no seu caminho, tem nojo das rãs e dos camaleões, confunde abelhas com vespas e desespera nas cidades porque os pombos lhes sobrevivem!
Guarda muito mais do que alguma vez vai precisar para si , ignorando que o mundo à sua volta só pode ser aprazível se houver sensibilidade e solidariedade!

8 comentários:

Fa menor disse...

Em causa a sustentabilidade do planeta...
O mundo tem espaço para todos e para todas as criaturas...
O Homem, o eterno animal egoísta que não pensa que os outros também precisam de viver!

Bjins

Anónimo disse...

Embora a experiência me tenha ensinado que se descobrem homens felizes em maior proporção nos desertos, nos mosteiros e no sacrifício do que entre os sedentários dos oásis férteis ou das ilhas ditas afortunadas, nem por isso cometi a asneira de concluir que a qualidade do alimento se opusesse à natureza da felicidade. Acontece simplesmente que, onde os bens são em maior número, oferecem-se aos homens mais possibilidades de se enganarem quanto à natureza das suas alegrias: elas, efectivamente, parecem provir das coisas, quando eles as recebem do sentido que essas coisas assumem em tal império ou em tal morada ou em tal propriedade. Para já, pode acontecer que eles, na abastança, se enganem com maior facilidade e façam circular mais vezes riquezas vãs. Como os homens do deserto ou do mosteiro não possuem nada, sabem muito bem donde lhes vêm as alegrias e é-lhes assim mais fácil salvarem a própria fonte do seu fervor.

Antoine de Saint-Exupéry, "Cidadela"

xistosa - (josé torres) disse...

A "Natureza" é pródiga em exemplos marcantes.
Nos pradarias, planaltos sertões, savanas, etc. tomamos consciência do que é ser mais forte, no reino animal.
Os fracos são a cadeia alimentar dos fortes.
Até as plantas imitam tal procedimento.
Depois duma grande "queimada", a erva - capim - que (re)nasce, transcende de seiva e vida que alimenta a eterna corrente de vida ou da vida.
O homem, como animal, não pode fugir à inexorabilidade da continuação da vida.
É por isso que os "fortes", os "espertos", os "oportunos - que não são mais que os oportunistas" os "ávidos por tudo - poder incluído", sobre-elevam-se e são sobre-humanamente os mandantes.
Quem se preocupa que desapareçam animais e plantas que não façam parte, do universo do nosso contentamento imediato?
Poderemos chamar-lhe egoísmo, oportunismo, servilismo ou sobrevivência?
Gastemos os recursos todos ... a genética substituí-los-à, talvez até com vantagens.
Só não sei como se vai substituir a água potável ...

Mas há sempre uma solução.
O que queremos todos é viver o presente.
Amanhã podemos já ter "partido"

inespimentel disse...

Fa menor, o homem anda tão absorto na importância da sua existência, e coitados tantas vezes numa luta sem tréguas pela sua sobrevivência que não lhe sobra espaço para mais nada!

inespimentel disse...

Pois é anónimo(g?), quando a concentração de homens, dos seus bens, e do seu mundo, é maior, também a dispersão e a distracção do que realmente importa é aumenta!
Boa escolha este texto, muito oportuno!

inespimentel disse...

Xistosa, regresso em forma!
Tem razão... e mesmo sem pensar no dia de amanhã nem todos legitimamos no dia de hoje o desperdício, o exagero , o consumismo desenfreado... estes comportamentos não se adaptam a quem gosta de viver com os pés bem assentes no chão, e o coração aberto; não saberia como sentir miséria à minha volta se vivesse no luxo e/ou no desperdício!

Nadir Maria disse...

Por vezes queremos impor a nossa vontade.
É isso que 2perde" O SER HUMANO.
Passei para desejar uma boa semana.

xistosa - (josé torres) disse...

Nadir Maria, foi um heterónimo ou pseudónimo que o Blogger me arranjou.
Utilizei o portátil da minha mulher que não tem blog nenhum, nem sequer vai ao meu e saiu o nome dela, isto depois de eu ter iniciado a sessão no m/blog.
Como não "pesco" nada disto, não me vou preocupar mais.
Uma boa semana.

o que me faz feliz

o que me faz feliz
o meu mundo ao contrário

O meu Farol

O meu Farol

A bela foto

A bela foto
o descanço dos meus olhos

A minha cama na relva

A minha cama na relva

O meu Algarve

O meu Algarve

...enquanto uns trabalham...

...enquanto uns trabalham...