quinta-feira, março 5

Vida cheia/ Vida parada

Uma frase deliciosa a transbordar de lucidez veio-me à ideia:
"Não sei como vai ser a 3ª Guerra Mundial... mas a 4ª será certamente com pedras e paus!" (Einstein, julgo eu...)
Estamos a consumir tudo a uma velocidade vertiginosa, acredito que um dia vamos reencontrar a simplicidade de conseguir desejar uma coisa de cada vez!
Não anseio pelo dia em que as crianças esperem com orgulho e ansiosas pela conclusão da 4ª classe para ganharem o seu primeiro relógio de pulso, como no meu tempo... mas vejo com prazer que, quem tudo tem, se entrega cada vez mais, com delícia ao prazer de estar num cenário natural, ameno, com um livro no colo, parando para mastigar um parágrafo, fechando os olhos para saborear a brisa, partilhando o convivio com amigos ou família, escolhendo estes programa em alternativa a outros que já estão para lá dos seus desejos.
Mil viagens, restaurantes e resorts, espectáculos infindos, luzes e frenezins, ofertas urbanas, invenções imensas na net, enfim, mundo e mundo
...demasiada oferta causa fastio...
O Sérgio Godinho dizia há já muitos anos que "só quer a vida cheia quem teve a vida parada"... volvidos estes últimos anos, de enorme aceleração, eu diria que só quer a vida parada quem a teve demasiado cheia!
Fiquem bem!

4 comentários:

xistosa - (josé torres) disse...

Veio de repente a modernidade ... Foi mesmo ... na 4ª e admissão ao Liceu e à Escola Industrial.
Tínhamos que passar nos dois exames.
Depois ofereceram-me um "Latino", que apesar de ter o "vidro" de "plástico", (não era plástico, mas esqueci-me o nome momentaneamente, resistiu a todas as investida e foi o meu filho que já o avariou, quando era miúdo e "estudava" para relojoeiro.
Agora há tudo e mais ... à mão de semear ... não, há mão de colher, que o semear dá trabalho e demora a colher.
Depois são as roupas de marca, que as outras não têm qualidade ...
Luzes cintilantes e comidas plásticas.
Cá por casa não havia muitas facilidades.
Ou melhor.
Quase nenhumas e só os avós é que os estragavam ...
Não havia castigos corporais, nem nunca houve, (sempre achei um acto de cobardia um adulto bater numa criança, mesmo que ela faça um buraco na areia e berre desalmadamente que quer levar o buraco para casa), os castigos eram o impedimento de determinados prazeres.
Não sei se deu resultado, mas parece-me que sim ...

Mas por vezes ponho-me a pensar ... se há tudo ao dispor, quem não tiver dificuldades financeiras por que não há-de alegrar os filhos?

Dificuldades vivi eu ... em Castelo Branco.
Não havia nada, só frio no Inverno e calor, muito, no Verão.
Ah! No sábado à noite, quem se portava bem tinha direito a um pau com uma pedra de gelo a saber a laranja ou limão ...

Vá lá que o bichinho da leitura germinou neles ...

Bem, não se fale em crise nem em guerras.
Pensemos que amanhã, no mínimo temos que comer uma refeição ...

inespimentel disse...

Pois é José gostei deste seu comentário... também fico dividida... os castigos dão frutos, certo, mas quem não quer ver os filhos felizes?, e a medida entre estas duas medidas está no bom senso que por vezes não sabemos onde está...

Sam disse...

e com isto tudo a vida parece que passa mais depressa...é impressão minha ou o tempo em que o telefone era a cêna mais tecnologica que se tinha em casa, passava mais devagar?

inespimentel disse...

Não é impressão não senhor...Sam o tempo tinha uma dimensão COMPLETAMENTE diferente!
De facto faziamos , por hábito, uma coisa de cada vez... falávamos ao telefone e ponto final... um de cada vez com um do outro lado... só por aí dá para ver hoje estamos no comp a abrir mensagens, falar comn duas ou três pessoas, a receber msn no móvel com música a tocar que vamos selecionando ao mesmo tempo que sacamos um filme para ver mais logo enquanto consumimos uma sande de courato e bebemos um enlatado... digo que fazemso isto... mas não eu, não completamente... é uma loucura... os fuzíveis não aguentam tanto tráfego...

o que me faz feliz

o que me faz feliz
o meu mundo ao contrário

O meu Farol

O meu Farol

A bela foto

A bela foto
o descanço dos meus olhos

A minha cama na relva

A minha cama na relva

O meu Algarve

O meu Algarve

...enquanto uns trabalham...

...enquanto uns trabalham...