terça-feira, junho 5

CULPA

Reconheço que não tendo sido, até à data, uma má educadora, em certos aspectos fiquei aquém nas exigências que supostamente devia ter feito aos meus filhos!

No meio familiar e social existiam, talvez, expectativas diferentes para eles! Formação superior, um pouco mais de ambição, maior sentido de responsabilidade, maior determinação na perseguição de objectivos, enfim, poderia tê-los "apetrechado" convenientemente para conquistarem um lugar ao sol nesta competitiva sociedade em que estão inseridos!

Mas não... confesso que falhei e, pior ainda, que nem me esforcei muito por isso!
Por eles lamento... mas como poderia eu convencê-los do que não me convenceu a mim?

Como poderia eu transmitir a um filho o desejo de ser economista e ter um "bom lugar" num banco? Desconfio dos métodos com que se enchem de lucros em anos de crise!

Incentivar o outro a estudar direito e defender causas injustas, e chamar a isso trabalho?

Afundarem-se em pesadíssimos compêndios de milhares de páginas cheias de letrinhas em que se ensinam os médicos a tratar de orgãos como se de" peças soltas" se tratassem.

Engenheiro ou arquitecto para pagarem com prédios de betão o seu trabalho, a poupar nos materiais e com vista para o asfalto.

Tantos os caminhos que eles poderiam ter seguido mas nem todos contariam com o meu sentido entusiasmo!

Longe de mim desviar o rumo das suas opções, mas daí a ter a iniciativa, a empurrar e estimular, vai uma grande distância. Seria incapaz de contrariar, apoiaria com tudo o que estivesse ao meu alcance feliz por eles perseguirem um sonho, um objectivo.

Não consegui fingir entusiasmos que não sentia, e eles, como era de se esperar, optaram pelo pouco esforço, o caminho mais fácil, se é que se pode dizer de uns caminhos serem fáceis e dos outros serem difíceis!

Ensinei-os, por outro lado a viver com pouco, ter a noção de que esse pouco visto por outros prismas é muito e dar graças pelo que têm; curtirem, aproveitarem os dias sem se desesperarem com miudezas, aprenderem um "ofício" que lhes dê independência material.
Ensinei-lhes ainda a acreditar que vale a pena esta vida, que devemos zelar pelo bem estar do próximo, comer bem, ter cuidado com o sol.

Não lhes ensinei grande coisa... dei-lhes muita ternura e atenção. Estive sempre lá... acessível sem me impor, pelo menos tentei.


Acredito que nem na escola nem na sociedade se ensinam as competências para fazer deste mundo um sítio aprazível para todos, se possível. Lamento do fundo de mim!

Em família dei tudo o que de melhor construí mas sei que se foi insuficiente a vida tratará de continuar o que eu comecei.

Também a minha primorosa educação teve os seus erros os seus desfazamentos; no que ela falhou tratei eu de me construir com maior ou menor esforço, escolhi os meus caminhos fiz as minhas opções!

Cheguei onde cheguei com a certeza de que não há fórmulas para uma boa educação, educar é difícil, um exercício constante para quem lhes dá a luz, e para o qual não se nasce ensinada!

5 comentários:

marta disse...

Olá Inês.

Há uns meses atrás, fiz um post parecido.

O importante é terem a noção de que a sorte ou o azar, somos nós próprios que os construímos e que acima de tudo o que se deve procurar como profissão é aquilo que gostamos de fazer.
Se gostarmos, somos bons no que fizermos.
E claro, a educação continua pela vida fora. Felizmente eles aprenderão mais do que nós.
Mas tenho uma noção muito nítida.
Educar é torná-los pessoas conscientes dos outros, é dar-lhes ferramentas para serem emocionalmente e economicamente independentes e saber que aí, acaba o nosso papel e começa o deles.

inespimentel disse...

As tuas palavras são maduras e sabem-me bem.
Por certo, o peso da crítica social de que me sinto "alvo" não é mais do que a minha consciência a questionar-se sobre as minhas opções, querendo apurar se foram impulsivas, egoístas, ou se, por outro lado, um sinal de coragem, de romper com o traçado previsível...
Hoje estou contente com o meu caminho... noutros momentos vacilo, perfeitamente normal, não?

SE disse...

Concordo com cada palavra que escreveu...e com o que a Marta comentou. Que dificil é educar...que dificil é encontrar o ponto de equilibrio ... o que muitas vezes fazemos com a melhor das intenções, vontades e esforços nem sempre tem os resultados esperados, e pode inclusiva/ ter impactos diferentes em cada um dos nossos filhos. O importante é transmitir-lhes os valores e principios que consideramos estarem na base de uma vida saudavel, justa, verdadeira, responsável, coerente -munidos destas ferramentas os dados estão lançados e eles certamente farão o resto da melhor forma (?!! é esta a minha convicção e esperança). Para mim é impt. ter a conciência de que dou continuamente o melhor que sei, posso e tenho...vou aos meus limites...e, como mulher de Fé que sou, tenho de acreditar que Deus os orientará no caminho que fôr melhor para cada um deles.
Bjs Grandes e bom feriado

SAM disse...

"Ensinei-os, por outro lado a viver com pouco, ter a noção de que esse pouco visto por outros prismas é muito e dar graças pelo que têm; curtirem, aproveitarem os dias sem se desesperarem com miudezas, aprenderem um "ofício" que lhes dê independência material.
Ensinei-lhes ainda a acreditar que vale a pena esta vida, que devemos zelar pelo bem estar do próximo, comer bem, ter cuidado com o sol."

É PRECISO MAIS? EU ACHO QUE NÃO: NUNCA!

Amiga, Sexta feira vou para IBIZA com um grupo, por isso fica com um beijão enorme e que tenhas um bom feriado e um optimo fim de semana!

inespimentel disse...

Querida SE: sinto no teu post também já com muita sabedoria de experiência feita ( pires mas verdadeiro, não?), e em plena actividade.Estás na fase mais complicada com idades "daquelas"... mas respira fundo, vocês estão mesmo no bom caminho, podes estar certa que o resultado vai ser BOM!
Acho que as mulheres são mesmo sábias, e feiticeiras, poços de amor infindável, capazes de perdoar tudo, começar sempre cheias de fé, acreditando que agora vai correr tudo bem... e vai mesmo correr tudo bem, sobretudo no que de nós depender! E é disso que temos a certeza, não é???

o que me faz feliz

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o meu mundo ao contrário

O meu Farol

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A bela foto

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A minha cama na relva

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O meu Algarve

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...enquanto uns trabalham...

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