quinta-feira, janeiro 10

O tempo parado - 2º olhar

Quando cheguei ao Monte estava tudo aparentemente na mesma, parado, numa quietude quase comovente ( talvez pelo contraste com a vida que os homens vivem, debaixo de todos os tempos), e reparei que, quando escrevera o texto que antecede este, sentada em frente ao monitor, não conseguira ver, em toda a sua plenitude, o verdadeiro quadro de um tempo assim parado, faltaram-me as pinceladas que lhe dão o toque mais realista... o cheiro e o som que completam esta criação!!!
A terra húmida que se expande em aromas ancestrais, para lá de nós e de tudo, um cheiro a morte e a vida que nos lembra o imparável ciclo, um cheiro que mesmo de olhos fechados nos descreve o cenário numa paleta sempre renovada; e som, muito e variado... os pássaros festejam esta acalmia num chilrear despreocupado de quem arruma a casa para nela instalar um novo ninho e apruma as penas para a próxima conquista! O ladrar de um cão só porque diz que é assim que ele fala, au au, está aí alguém? O cacarejar duma galinha já velha que fugiu à canja e agora insiste em cantar, na ilusão que cria de que vai sair ovo, engana-se a ela que já passou a idade dessas habilidades; o gato que lânguido se espreguiça, soltando um fino miau de quem nesta vida nada mais lhe é pedido do que este deixa andar... uma voz humana que para lá do que se vê, chama alguém, um nome que se perde na distância, um chamar, sem pressas, sem aflições;
Todos os sons se tornam claros e transparentes parecendo que não existem barreiras entre mim e eles; chega-me de muito longe o barulho de um comboio... "pouca terra" e já lá vai , sem mais... que eles agora nem dão tempo para bisar o "pouca terra", na pressa que têm de encurtar lonjuras! Ainda de mais distante o barulho do mar percorre a distância que nos separa, oferecendo-me aos sentidos cada onda que se desmancha na areia, num marulhar que se repete sempre, onda após onda, num ritmo que me apazigua e surpreende, tantas ondas todas diferentes, numa repetição contínua que nunca se repete, outra e mais outra, até mais não....
Foram estes os presentes que o tempo parado tinha para mim, ontem quando regressei a casa e, não quis deixar de vir completar um cenário que de outra forma estava , além de parado, um pouco coxo!
Hoje o tempo continua parado mas já se distingue a vontade de um azul por entre nuvens... um raio de sol a iluminar alguma mais negra nuvem... agora, a qualquer momento, tudo pode acontecer... ou nada vai acontecer... o tempo é assim, faz o que bem entende, quando e como quer... e nós... é melhor que tudo saibamos bem receber... do sêco ao molhado... do quente ao frio, tudo faz parte, e é bem vindo... é a certeza de que ainda por cá andamos!
Um Bom dia para todos nós

6 comentários:

SE disse...

Desta vez a cores e com Som....!!Bjs

xistosa disse...

Percorrer a vida de Nascente a Poente, ou terá sido a viagem inversa?
Lembrei-me, assim de repente, dum pintura de José Malhoa.
Tenho a certeza que o é!

xistosa disse...

As gralhas ...
Não os simpáticos bicharocos, da família dos corvos, mas "piores" que estes.
A minha mania de não verificar o que escrevi.
Se tiver um "a" a mais por aí ...
Obrigado.

marta disse...

Hoje esteve um glorioso dia de sol, também parado, mas já com mais calor, ou menos frio.


beijinho

SAM disse...

Foi muito bom ler este teu texto ao som do Sergio gordinho...ups godinho lol " Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida"

Bom fim de semana paixão e fica com um beijo doce.

inespimentel disse...

Quando voltei a ouvir essa música fantástica, depois de muito tempo no esquecimento, percebi porque é que achei o Sérgio Godinho o máximo durante muitos anos... eram muitas muito boas!

o que me faz feliz

o que me faz feliz
o meu mundo ao contrário

O meu Farol

O meu Farol

A bela foto

A bela foto
o descanço dos meus olhos

A minha cama na relva

A minha cama na relva

O meu Algarve

O meu Algarve

...enquanto uns trabalham...

...enquanto uns trabalham...